BNDES terá de rever projeto da Ford na Bahia, diz Calabi
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Maria Fernanda Delmas ATENÇÃO EDITOR: Coordenar com a série FORD. 
Rio, 30 (AE) - O novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, empossado hoje, disse que examinará o pedido de financiamento da Ford para a fábrica na Bahia. "Acredito que a evolução do veto à edição da Medida Provisória vai levar a empresa a rever seu projeto de investimento", disse. "E esse novo projeto deve ser apresentado ao banco", afirmou.
Na gestão anterior, de José Pio Borges, o BNDES havia dado aval preliminar para um empréstimo de R$ 700 milhões à Ford. Além do financiamento do banco, a montadora contaria com mais R$ 700 milhões em incentivos fiscais. Mas, depois da reformulação da MP, o montante foi reduzido para R$ 180 milhões por ano, até 2010.
Calabi refutou as críticas ao investimento do banco oficial no projeto da multinacional norteamericana. "A descentralização do desenvolvimento é prioridade para o banco."
A cerimônia de posse foi uma das mais concorridas da história do BNDES. Estavam presentes sete ministros - Clóvis Carvalho (Desenvolvimento), Pedro Malan (Fazenda), José Serra (Saúde), Rodolpho Tourinho (Minas e Energia), Marcus Vinicius Pratini de Moraes (Agricultura), Martus Tavares (Orçamento e Gestão) e Pimenta da Veiga (Comunicações) -, além dos presidentes do Banco Central, Armínio Fraga, e do Banco do Brasil, Paolo Zaghen.
Políticos, empresários e executivos do mercado financeiro fizeram fila de uma hora e meia para cumprimentar Calabi, de olho nos quase R$ 20 bilhões de desembolso que o BNDES oferece para investimentos. O auditório, de 420 lugares, estava lotado e havia quase o mesmo número de pessoas de pé.
No discurso de posse, Calabi, até então presidente do Banco do Brasil, afirmou que não há contradição entre ser austero e crescer estruturalmente. "Desde 1994, o objetivo último de Fernando Henrique Cardoso, com a estabilização, é o desenvolvimento econômico e social", afirmou. "O governo quer garantir recursos mínimos suficientes para estimular os investimentos privados."
Exportação será o principal foco do BNDES, segundo Calabi, que também prometeu incentivar as micro, pequenas e médias empresas. O banco deve continuar a dar suporte financeiro a processos de fusões e aquisições e pode, inclusive, bancar compradores.
Mas esses processos, a exemplo do que declararam Brahma e Antarctica sobre a megafusão, podem acarretar demissões. E compromisso com o emprego foi um dos pontos ressaltados por Calabi. "Queremos estimular o emprego em longo prazo", explicou. "Às vezes não há escolha entre manter uma empresa ineficaz, apenas para garantir número de empregos, ou promover uma reorganização."
Os setores prioritários para o banco são os de eletroeletrônicos, siderurgia, petroquímica, mineração, papel e celulose, telecomunicações e têxtil. Mas o BNDES pode também dar apoio à reestruturação da aviação civil.
Calabi não quis adiantar o destino da fatia do BNDES na Telemar. "Estou tranquilo em relação a nossa parte. Vamos pagar a segunda parcela na semana que vem".
O ministro Carvalho disse que Calabi "é o homem certo no lugar certo". Mas elogiou Pio Borges, chamando-o de "mister privatização". Na despedida, Borges lembrou alguns números: de 1995 até a sua saída, os investimentos cresceram de R$ 7 bilhões para R$ 19 bilhões e os incentivos à exportação, de US$ 238 milhões para US$ 2 bilhões. A receita com privatizações foi de US$ 73 bilhões, 85% do que o Governo arrecadou desde 1991.
"O banco foi instado a ajudar empresas com fragilidade financeira, mas sempre respeitando os processos de crédito e evitando soluções tópicas", frisou.


