BNDES segura negociações de empréstimo para Mappin e Mesbla
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 15 (AE) - As negociações entre a diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o empresário Ricardo Mansur, dono da Mesbla e do Mappin, para liberação um empréstimo de R$ 200 milhões, estão travadas e o dinheiro só será liberado se os credores do grupo fizerem uma parceria para recuperar a empresa. "Não vamos dar dinheiro para que os outros sejam pagos e a gente fique com o problema", afirmou o presidente do BNDES, José Pio Borges.
Apesar do desinteresse de conceder novos créditos para o grupo Mappin/Mesbla, Borges disse que a instituição pretende emprestar este ano para o setor de comércio e serviços R$ 2 bilhões, ante R$ 1,685 bilhão que foi gasto em 1998. "A prioridade é o setor de comércio e serviços", afirmou hoje Borges, durante a exposição para investidores do shopping Villa-Lobos. O novo shopping será inaugurado no ano que vem em São Paulo. Dos R$ 100 milhões investidos, o BNDES financiou 40% do projeto.
O setor de comércio e serviços é o que mais cria empregos. No ano passado, o segmento abriu cerca de mil novos portos de trabalho, considerando as vagas criadas por investidores e fornecedores, disse o presidente do BNDES. Ele argumentou que o comércio emprega mais que a indústria automobilística e o segmento de transportes. No primeiro caso, no entanto, a renda obtida pelo trabalhador é maior.
Desemprego - Mesmo sendo um grande empregador, o comércio também cortou postos de trabalho neste início de ano por conta de uma queda de 40% no faturamento das lojas instaladas em shopping centers no primeiro trimestre em relação a igual período de 1998.
Segundo presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Abralshop), Nabil Shayuon, entre 18 mil e 20 mil vagas foram fechadas de janeiro a março. As demissões pararam neste mês por causa de reação nas vendas que, atualmente, estão no mesmo nível da primeira quinzena de abril de 1998.
"Há um excesso de shoppings", disse Shayuon, destacando que muitos deles estão com problemas para alugar as lojas. Prova disso é que há empreendedores de shoppings centers que deixaram cobrar luvas - uma comissão pelo ponto comercial - para tentar alugar mais rapidamente as lojas. "Em três, anos poucos shoppings estarão cobrando luvas", previu o presidente da Abralshop.
Segundo ele, o próprio shopping Villa-Lobos está, até agora, com 75% da sua área vendida, o que, na sua avaliação, é um índice pequeno para um empreendimento que será inaugurado em abril do ano que vem. Para incentivar o comércio, o Banco do Brasil está reativando quatro linhas de crédito para capital de giro e investimento de infra-estrutura no comércio. Os recursos são do BNDES e o repasse para os comerciantes ficou mais difícil logo após as mudanças no câmbio.


