BNDES resiste a pedidos de ajuda de várias empresas
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quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Mônica Ciarelli (especial para AE) 
Rio, 11 (AE) - O grupo Mappin-Mesbla não foi o único a procurar no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) uma saída para escapar da falência. Nos últimos anos, uma série de empresas tem batido à porta do banco à procura de um empréstimo ou uma operação de salvamento, que as faça superar a crise e escapar da insolvência.
O BNDES tem resistido às pressões, exigindo garantias reais antes de liberar recursos ou auxiliar as empresas em um programa de reestruturação. "Não somos um hospital para as empresas doentes virem se tratar", alertou o vice-presidente do banco, José Luís Osório.
O presidente do BNDES, José Pio Borges, também é enfático ao condicionar qualquer ajuda do banco a apresentação de garantias consideradas de qualidade. Esse é o grande entrave nas negociações do caso Mappin-Mesbla. O empresário Ricardo Mansur quer oferecer as marcas e as lojas como garantias para um empréstimos de R$ 102 milhões, o que são considerados insuficientes pela área técnica do BNDES.
"Em alguns casos, a participação do banco está condicionada a uma reestruturação societária ou mudança de postura dentro do setor de atuação", explicou o vice-presidente. É o caso do grupo Odebrecht, que já vem negociando com o BNDES um apoio para sua reestruturação.
A participação do BNDES está condicionada a venda da Trikem, do Grupo Odebrecht, possivelmente para o Grupo Ultra. A intenção é aumentar a setorização no setor petroquímico, com o Ultra respondendo pelas operações no Nordeste, a Odebrecht e o Ipiranga no Sul e a Suzano e Unipar pelo Pólo do Rio.
Osório explica que o banco decidiu tratar o assunto de uma forma mais ampla, aproveitando o pedido da Odebrecht para desencadear uma reestruturação do setor petroquímico brasileiro. Um estudo feito pelo BNDES mostra que a participação das companhias nacionais no mercado internacional ainda é muito pequena.
Os dois maiores grupos petroquímicos internacionais (Bayer e Basf) registraram em 1998 um faturamento líquido de cerca de US$ 32 bilhões cada um. Já a Odebrecht, maior grupo privado que atua no setor, faturou US$ 4,1 bilhões, sendo que apenas US$ 1,7 bilhão em petroquímica.
A Varig também já bateu às portas do BNDES pedindo socorro. O processo está em estudo no banco, mas Osório não quis dar detalhes de como anda as negociações com a empresa. Segundo ele, o pedido da Varig pode acabar acelerando um apoio mais efetivo do banco para esse setor.
Entretanto, destacam, nem todas as empresas oferecem garantias de qualidade. "Nosso interesse é apostar em empresas que possam render bons retornos financeiros no futuro, queremos participar da valorização da companhia", afirmou.


