São Paulo, 8 (AE) - A reestruturação do setor petroquímico nacional depende da venda da Trikem, do Grupo Odebrecht, possivelmente para o Grupo Ultra. "As negociações entre os dois grupos começaram há dez dias", disse o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges.
Ele explicou que "com a venda, o setor petroquímico ficará mais forte, com o Ultra atuando no Nordeste; a Odebrecht e o Ipiranga no Sul; e Suzano e Unipar no Pólo do Rio".
A Odebrecht também deverá vender outras duas empresas ligadas aos negócios do Poló de Camaçari (BA), como a Intercapital. Com isso, poderá receber recursos para aplicação nesse setor, já que ficará no Copesul. "Não há problema se o Odebrecht e o Ipiranga ficarem separados no Copesul."
Borges esteve hoje em visita ao Grupo Estado. Na ocasião
ele analisou o caso da venda da participação da Banco Nacional de Desenvolvimento econômico e Social Participações (BNDESPar) no controle da Telemar.
"Isso não vai ocorrer agora, porque se perderia dinheiro; além do mais, agora é que se deverá emitir as debêntures e legalizar o negócio; parece que os parceiros que adquiriram a Telemar deverão pagar uma nova parcela em agosto e, pelo que se sabe, todos estão se preparando para isso; se fizéssemos a venda agora, teríamos perdas", disse.
Ele explicou ainda que o interesse da Itália Telecom pela Telemar deixou de existir, pelo menos no momento, porque a companhia italiana teve o seu controle adquirido pela Olivetti. "Foi isso que ocorreu; o ideal é esperar um pouco mais, até o fim do ano, para ver como vai ficar; a Telemar, com o Manoel Horácio na presidência, está indo bem e ele tem carta branca para gerir a companhia", afirmou o presidente do BNDES.
Petrobrás - Borges também é conselheiro da Petrobrás e salientou que tem a idéia de que a empresa poderá vender poços de petróleo pequenos que possui no Nordeste para seus próprios funcionários. "É um sonho que tenho e sei que muitos deles se interessariam, começando a explorar o petróleo e vendendo para a própria Petrobrás; seria algo interessante e sei que pode ser um sucesso".
Ele contou que a Perez Companc, uma das grandes companhias argentinas, começou a crescer com a compra de poços que não eram rentáveis para a Yacimentos Petroliferos Fiscales (YPF) na Terra do Fogo.
"Tem poço da Petrobrás no Nordeste em que o custo de produção é muito elevado e seria menor com sua terceirização para funcionários; já apresentei a idéia ao presidente da companhia, Philipe Reichstul, e devo apresentá-la em breve no Conselho; a Petrobrás vai ganhar muito com isso, e, sem dúvida, os arrendatários desses pequenos poços de petróleo poderão crescer, assim como ocorreu com companhias argentinas".
Privatizações - Quanto à privatização, Pio Borges entende que o processo hoje está semiparalisado. A meta de US$ 20 bilhões dificilmente será alcançada, por falta de tempo disponível. "Temos privatizações da Datamec e do Banespa, e esperamos uma solução para Furnas em breve; deverá ser privatizada também; o que deve ocorrer são privatizações de algumas companhias estaduais na área de energia, possivelmente a Cesp ou ainda a de Saneamento da Bahia", disse.
Ele afirmou que um dos problemas para a privatização de Furnas foi a descoberta de um rombo na sua caixa de previdência de R$ 1,2 bilhão. "Se falava em R$ 90 milhões e na última hora se descobriu que era de R$ 1,2 bilhão; só que esses recursos, cerca de 90%, deverão ficar por conta da Furnas de Transmissão, a empresa que continuará como estatal e onde está concentrada quase toda sua força de trabalho; as companhias geradoras com a cisão ficaram com poucos funcionários; a maioria ficou com o setor de transmissão de energia; espero que se chegue a um bom termo e em breve se privatize Furnas."

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