Rio, 03 (AE) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, afirmou hoje que a instituição não poderia entrar em uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com os credores do Mappin e da Mesbla, para conceder empréstimo que permitiria a renovação dos estoques da rede de lojas. A proposta é defendida pelo administrador da rede, José Paulo Amaral. "Se é empréstimo para capital de giro, o banco não pode participar, a não ser por agentes financeiros credenciados", afirmou Borges. O presidente do BNDES afirmou que a proposta defendida pelo banco é o financiamento da compra e reforma de algumas lojas. Borges afirmou que a Renner, controlada pela J.C. Penney, e a FNAC já teriam manifestado interesse em participar do negócio.
O empréstimo seria dado com a condição de que os empregados das lojas fossem mantidos por um "certo período de tempo", explicou Borges. "Não seria uma solução para a empresa como um todo, mas manteria os empregos", comentou o presidente do BNDES. A solução é apoiada também pela comissão de funcionários do Mappin e Mesbla, segundo uma de suas integrantes, Consuelo Gradim, que trabalha como compradora de atacados para a rede.
"É tudo o que a gente quer", afirmou Consuelo, ao comentar a possibilidade de venda das lojas, anunciada ontem (02) pelo vice-presidente do BNDES, José Mauro Carneiro da Cunha, em reunião com a comissão de funcionários. "Saímos bem impressionados", afirmou a funcionária, sobre a reunião.
Borges afirmou que esta saída levaria tempo para ser planejada, e por isso, não deve sair no sábado (05), como chegaram a informara os funcionários da rede. Consuelo avisou que a solução tem de ser colocada em prática logo, antes que algum credor consiga a decretação judicial da falência da rede.
Ela acrescentou que, até o fim de junho, se a empresa não conseguir dinheiro, vai fechar as portas. "Hoje, praticamente, não temos mais estoque", contou. "Já não há mais como pagar condomínio, aluguel, a única coisa que conseguimos que seja pago
com esforço, são os salários, que daqui a pouco podem começar a atrasar."

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