BNDES prevê restrições às exportações em 99
São Paulo, 26 (AE) - A crise internacional que afetou fortemente o setor siderúrgico mundial deverá
ter impactos negativos na siderurgia brasileira em 99: restrições às exportações e retração do
mercado interno. A conclusão consta de um informe setorial produzido pelo BNDES em
dezembro do ano passado, um mês depois da reunião do Comitê do Aço da Organização de
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizada em Paris. Na ocasião, o
BNDES foi representante do Ministério do Planejamento e Orçamento. O Instituto Brasileiro
da Siderurgia (IBS) também participou da reunião.
O BNDES está prevendo uma redução da produção de aço bruto no Brasil este ano: 24,9
milhões de toneladas, ante 25,8 milhões de toneladas em 98. Pelas previsões da instituição,
as exportações do produto vão recuar de 8,9 milhões de toneladas no ano passado para 8,4
milhões em 99.
Segundo o BNDES, as importações de aço deverão subir de 800 mil toneladas, em 98, para
900 mil este ano. O consumo deverá ter uma pequena queda de 15,2 milhões para 15,1
milhões de toneladas. "Para 1999 eram previstas inversões de US$ 2,1 bilhões de um total de
US$ 10,4 bilhões no período 1994/2000, referentes ao Programa de Modernização
Tecnológica da Siderurgia Brasileira. Este valor deverá sofrer redução, de acordo com as
novas tendências do setor", informa o relatório do BNDES.
Para a instituição, os projetos em andamento visando redução de custo e aumento de
qualidade não serão afetados. Os novos empreendimentos, no entanto, serão reestruturados.
Há uma superoferta de aço no mercado mundial, retração da demanda global e queda de
preços. No ano passado, os preços recuaram em torno de 30%, diz o relatório do BNDES.
O Sudeste Asiático, um dos principais importadores mundiais de aço, registrou uma redução
drástica na sua demanda pelo produto, em função dos impactos da crise em sua atividade
industrial. Dessa forma, o Japão, principal exportador, está redirecionando suas exportações
para União Européia e Estados Unidos. O relatório do BNDES destaca ainda que a crise
financeira que afeta a Rússia e região vem deteriorando o mercado siderúrgico local,
causando reflexos negativos no mercado internacional do aço.





