São Paulo, 01 (AE) - A reestruturação da indústria petroquímica em discussão no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prevê não só a saída da Odebrecht da Copene como também a incorporação das empresas da segunda geração da indústria petroquímica pelas duas maiores centrais de matéria-prima do País: a própria Copene, no pólo de Camaçari, na Bahia, e a Copesul, em Triunfo, no Rio Grande do Sul. A informação circula no setor.
Pelo raciocínio, as empresas de cada um dos dois pólos se fundiriam numa só, que uniria a central de matéria-prima local e as indústrias que utilizam seus insumos, a segunda geração. No caso do pólo do Rio Grande do Sul, a Ipiranga e a Odebrecht uniriam suas atividades. Com isso, a fabricação de produtos atualmente a cargo de empresas como OPP, do grupo Odebrecht, Ipiranga e Copesul seria transferida às diferentes divisões da administradora única do pólo, diz fonte.
Apesar da mudança, a Ipiranga e a Odebrecht continuarão no comando dos negócios do Sul ao administrar a empresa que controlaria o pólo. O que muda é a estrutura de gastos. "A idéia do BNDES, com a reestruturação do setor, é cortar despesas reduzindo o número de empresas", diz fonte ouvida pela Agência Estado. "Vai sobrar um monte de executivos desempregados", prevê.
O que não falta para o BNDES, porém, é motivo para promover o corte de gastos. Afinal, endividamento pesado já é problema crônico do setor. Prova disso está em pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) no ano passado. As 93 empresas consultadas deviam total de R$ 13,8 bilhões, quase o dobro da soma do faturamento, de R$ 7,9 bilhões. Pior: dos débitos, R$ 6,3 bilhões venciam em menos de um ano.
É justamente por conta das dívidas que a Odebrecht está sendo pressionada pelo BNDES a deixar seus negócios no pólo de Camaçari, onde tem participação na Copene, por meio da Trikem, produtora de cloro, soda e PVC e dona de 17% das ações da Norquisa, controladora da própria Copene. Com a saída da Odebrecht, os negócios da região deverão, com o apoio do BNDES, passar ao comando do grupo Ultra, um dos poucos do setor com boa dose de saúde financeira. Ao que tudo indica, o grupo não só controlará a Copene como comandará a produção de resinas da região, hoje nas mãos de empresas como Trikem e Polialden.
Ainda é uma incógnita, porém, o destino de outras empresas da segunda geração do pólo baiano, como a Nitrocarbono, fabricante de matéria-prima para o náilon, e a Propet, produtora de insumos para resina PET da Dow e do grupo Mariani. Outro ponto de interrogação está na Conepar - holding dos negócios petroquímicos do antigo Banco Econômico, com 24% de participação da Norquisa. Quem ficar com a empresa poderá controlar a Copene, conforme os arranjos acionários.
Nos últimos tempos, a Odebrecht vinha alegando ter prioridade na compra de suas ações por ter adquirido o direito de preferência para aquisição da holding da American Express, sócio do Econômico na empresa. A reivindicação, porém, perde sentido se a Odebrecht deixar mesmo Camaçari.

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