BNDES poderá financiar internacionalização de empresas brasileiras
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Vladimir Goitia Enviado especial 
Buenos Aires, 10 (AE) - O Grupo Brasil, que congrega 190 das cerca de 250 empresas brasileiras instaladas na Argentina, quer que o BNDES financie a internacionalização de companhias de capital nacional e a instalação de outras no território argentino. Para isso, a entidade apresentou um projeto que começará a ser discutido a partir de segunda-feira, na sede do banco, no Rio de Janeiro. O presidente do Grupo Brasil, Eloi Rodrigues de Almeida, informou que a idéia é conseguir créditos mais baratos para essas empresas, que começam a perder mercado na Argentina para multinacionais. "As subsidiárias brasileiras estão enfrentando forte concorrência de multinacionais extra-zona, que conseguem recursos externos mais baratos", disse Almeida.
De acordo com ele, empresas como a Sadia, Perdigão e Frango Sul, do setor de alimentos, a Maxion, Marcopolo e Randon, da área de autopeças e carrocerias, vêm perdendo competitividade por causa da falta de créditos mais vantajosos. "Não temos ainda um levantamento real das necessidades dessas e de outras companhias de capital nacional para começarem a transformar-se em verdadeiras multinacionais, mas a princípio acreditamos que deva ser entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões", antecipou Almeida.
Esses recursos permitiriam ainda, segundo o executivo do Grupo Brasil, a ampliação do financiamento às exportações de produtos brasileiros ao mercado argentino e a instalação de outras empresas no país. Atualmente as subsidiárias brasileiras não conseguem créditos a baixo custo na Argentina porque o Banco Central da República Argentina (BCRA) exige garantias bem superiores ao patrimônio das empresas instaladas no país. "Essas dificuldades estão criando problemas para essas empresas
afirmou. Almeida explicou ainda que a partir de segunda-feira, quando será realizada a primeira reunião de trabalho no Rio de Janeiro, o grupo de técnicos do BNDES e do Grupo Brasil, terão prazo de 90 dias para definir os detalhes do projeto e aprovar a proposta, que foi apresentada em janeiro ao então presidente do banco, Andrea Calabi.
As cerca de 250 empresas instaladas na Argentina - 62% do setor industrial e o restante da área de serviços - investiram cerca de U$ 6 bilhões entre 1993 e 1998, gerando ainda 11 mil empregos diretos no país. "Vale lembrar que todas essas companhias fizeram investimentos de risco, já que nennhuma delas participou de privatizações ou concessões", explicou. Entre as empresas que esperam aprovação do projeto do Grupo Brasil estão a Petrobras, Brahma, Hering, o Grupo Vicunha e a Tigre, que está acabando de instalar-se no território argentino. "Estamos otimistas e acreditamos que o projeto será aprovado, até porque existe uma disposição muito favorável do presidente Fernando Henrique Cardoso para que as empresas brasileiras comecem a ter presença forte no Exterior, principalmente no Mercosul", disse Almeida.
Para o executivo do Grupo Brasil, essa será uma forma de reforçar a credibilidade do Mercosul e até de atenuar a pressão de certos setores privados argentinos ao governo De la Rúa sobre o chamado "exôdo" de empresas argentinas para o território brasileiro. "Temos que mostrar que existem investimentos de mão dupla e não apenas escutar que os argentinos estão fugindo para o Brasil", acrescentou.
A exemplo do governo argentino, Almeida acredita que está havendo uma reação exagerada sobre o assunto. "Das 28 empresas que se mudaram para o Brasil, 23 são multinacionais do setor de autopeças que tinham necessidade de transferir parte da produção de alguns componentes de carros que não estão mais sendo fabricados na Argentina", explicou Almeida. Segundo ele, as informações da tranferência de uma centena de empresas e da possível saída de outras não conferem com a realidade."A recente nostícia de que uma empresa de seringas (Piro), da província de Buenos Aires, teria fechado as suas portas para tranferir-se ao Brasil não reflete a realidade", disse. De acordo com ele, a Piro perdeu recentemente uma licitação pública
mas depois de obter promessas de incentivos fiscais que poderão ser concedidos pelo governador local deve rever a sua idéia de ir para o Brasil.


