Rio de Janeiro, 02 (AE) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pode vender sua participação na Companhia Vale do Rio Doce (Vale) e na Petrobras no segundo trimestre do ano que vem. A previsão é do presidente do banco, Andrea Calabi.
Ele afirmou hoje, após a comemoração dos 40 anos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que a venda será pulverizada, "para fortalecer o mercado de capitais".
Segundo Calabi, o banco tem cerca de R$ 1,2 bilhão em ações preferenciais (sem direito a voto) da Vale. Junto com o Tesouro Nacional, tem mais R$ 3,3 bilhões em papéis da Petrobrás. O BNDES quer vender os papéis "não pela maximização de receitas, mas pela organização de um mercado amplo dessas ações", afirmou. Já houve tentativas de vender essas ações, mas não houve condições por causa das recentes crises internacionais.
"Com os juros caindo, a procura por renda variável cresce", explicou Calabi. "Assim como tem acesso a poupança e fundos de renda fixa, o público também precisa de opções de ações".
Calabi acha que "não é provável" uma fusão entre a Vale e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Segundo ele, as grandes empresas de minério de ferro do mundo não estão integradas às grandes produtoras de aço. "A fusão é possível, porque depende da decisão dos sócios, mas não é provável, porque não há ganhos econômicos que a justifiquem", declarou.
Sobre a polêmica em torno do controle estrangeiro na Vale, Calabi afirmou que a entrada de uma empresa internacional no capital da mineradora é totalmente constitucional. "As reformas dos capítulos de ordem econômica da Constituição, em 1995, determinaram que não há distinção entre o capital nacional e estrangeiro".
O presidente do BNDES afirmou também que uma eventual mudança nos contratos de privatização não é da competência do banco. "A decisão de mudar as regras para reajustes de tarifas é das agências regulatórias", disse. "O BNDES é um agente financeiro no processo de privatização".
AES - Na última segunda-feira, os advogados do BNDES tiveram uma audiência com o juiz José Carlos Francisco, da 10ª. Vara Federal em São Paulo, e apresentaram detalhes da operação de crédito à empresa norte-americana AES, compradora da Cesp Tietê.
"Aguardamos a manifestação do juiz", afirmou Calabi. Francisco havia determinado que o banco estornasse o valor do financiamento, de cerca de R$ 360 milhões. Mas, como o BNDES já havia liberado o dinheiro, o banco considerou que a liminar tinha "perdido o objeto".

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