BNDES não incluirá novas estatais em programa de privatização
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 10 (AE) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, descartou hoje a possibilidade de incluir novas empresas no cronograma de privatização previsto para 1999, com objetivo de atingir a meta de receita de R$ 27,8 bilhões prevista no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Borges adiantou que esta receita será garantida pelo repasse das dívidas das empresas públicas para a iniciativa privada. "Se fosse incluir (novas empresas) agora, certamente não afetaria este ano", disse Borges, referindo-se ao resultado da privatização de 1999.
O processo de privatização de empresas públicas demanda um longo processo de avaliação dos ativos, preparação da modelagem de venda, publicação do edital e, finalmente, a venda em si. Normalmente, toda esta preparação demanda mais de um ano. Para 1999, o BNDES fez uma projeção no ano passado da venda de 30 empresas, incluindo aí as quatro empresas-espelho de telecomunicações.
Borges lembrou que as projeções feitas pelo governo sobre privatizações sempre incluem também os ganhos com a transferência de dívidas. Ele citou o caso da Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp) que, segundo ele, pode render para o governo R$ 10 bilhões. "Se pegar a dívida, mais o valor do ativo, ela vale mais de R$ 10 bi", afirmou.
Desde 1991, as privatizações no Brasil arrecadaram US$ 68,6 bilhões. Somando as dívidas das empresas (US$ 16,5 bilhões)
este valor sobe 24%, passando para US$ 85,2 bilhões.
Ao todo, ainda estão citadas 14 empresas de energia elétrica a serem vendidas à iniciativa privada. O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, já adiantou que considera difícil a venda das cinco geradoras federais de energia ainda este ano. A conjuntura econômica e a dificuldade de linhas de financiamento podem atrasar a venda, prevista para o segundo semestre.
Também devem ser vendidas as empresas de saneamento do Espírito Santo e do Mato Grosso do Sul, ambas no primeiro semestre de 1999.
Ainda sem data de venda, o BNDES pretende vender outras três empresas de saneamento (de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina), setor que até agora não teve sua privatização iniciada.
Também está no calendário do BNDES a venda do Banco do Estado de São Paulo (Banespa) no primeiro trimestre, do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) no segundo semestre.
Segundo estimativas do governo a partir deste ano existiam ainda mais 42 empresas estatais federais e estaduais a serem privatizadas nos próximos anos, excluindo as linhas de transmissão de energia elétrica, que só devem ser vendidas depois das geradoras de energia. Dez privatizações não tinham data marcada para ocorrer, o que transferia sua venda para depois do ano 2000.


