Rio, 29 (AE) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) marcou para 3 de junho o lançamento de novos títulos da dívida externa de 96 empresas privadas, agrupadas em uma Sociedade de Propósito Específico (SPE). Nesta data, o banco fechará a operação que envolverá, no mínimo, US$ 1 bilhão, sem valor máximo definido ainda, a depender da composição dos títulos. "Não é um programa de socorro, apenas uma operação normal de mercado, pela qual o banco também vai ganhar dinheiro", afirma o diretor da área de Desestatização do BNDES, José Luiz Osório.
O projeto, desenvolvido durante três meses por técnicos do BNDES, do banco norte-americano Goldman Sachs e do Banco do Brasil, é complexo e destina-se a facilitar a captação de recursos de empresas brasileiras no exterior e a disciplinar as emissões de bônus. As recentes crises financeiras, que dificultaram o acesso de empresas de países emergentes a mecanismos de rolagem de dívida, motivou o estudo, que agrupará num só título, emissões que estavam sendo feitas de forma pulverizada, com os mais diferentes critérios.
"Detectamos uma imperfeição no mercado, com preços distorcidos de compra e venda e acesso muito restrito de empresas nacionais ao mercado externo", diz Osório. "Com esta operação, vamos buscar um certo equilíbrio." Segundo ele, o BNDES apenas vai subscrever títulos de empresas privadas no exterior, seguindo critérios básicos como o registro das operações no Banco Central; aceitar apenas títulos de empresas adimplentes e que tenham feito as operações em dólar.
No mercado internacional, o banco vai oferecer aos investidores a troca dos títulos das empresas por títulos emitidos pela SPE que abrigará todas as intituições. Os investidores terão mais garantia e as empresas brasileiras, mais facilidade na rolagem de suas dívidas. "Todos os investidores detentores de títulos de empresas brasileiras, que preencham estes requisitos, podem fazer esta troca", diz Osório.
"Trata-se de uma operação de reorganização do mercado da dívida privada, que vem complementar o projeto de recuperação na credibilidade do País no exterior", completa Sérgio Weguelin
superintendente da Divisão de Mercado de Capitais do BNDES.
As empresas selecionadas para integrar a SPE foram divididas em cinco grupos, de acordo com a atratividade de seus títulos no exterior. O grupo 1, o mais cotado, reúne 20 empresas
entre elas o próprio BNDES e os bancos ABN-Amro, Excel e Citibank; no grupo 2, foram classificadas 19, como a CSN, o grupo Votorantim e o banco Itaú; no 3 estão 23, entre elas o banco BBA-Creditanstalt e a Globopar; 20 empresas ficaram no grupo 4, como a Hering e a Vigor, e, no grupo 5, a RBS, a Gradiente e a NetSat.
Os títulos emitidos pelas empresas já selecionadas correspondem a US$ 22,5 bilhões, com prazo médio de pagamento de 3,5 anos, mas há variações de vencimento que vão de agosto deste ano até diferentes meses do ano 2007. Títulos emitidos por mais cinco empresas (Safra, BCP, CSN, VBC, Light e Metropolitana), com valor de mais US$ 4 bilhões estão ainda sendo analisados para integrarem ou não o programa. "Para inclusão no programa examinamos basicamente o tamanho da emissão, o preço no mercado secundário, o prazo e o rating internacional", diz Osório. A classificação pelas empresas de rating internacionais, inclusive
é uma exigência para que os títulos continuem a fazer parte da SPE.

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