BNDES lançará bônus de médio prazo após emissão do BC
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 15 (AE) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, afirmou hoje que a instituição será a próxima a lançar bônus no mercado externo, assim que o governo brasileiro realizar a sua operação. Ele não quis detalhar o valor das emissões que o banco fará, mas disse que os papéis serão de médio prazo, de três a cinco anos.
Ontem (14) o governo brasileiro registrou na Securities and Exchange Commission (SEC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Estados Unidos, documentação que lhe permite emitir até US$ 3,75 bilhões em papéis no mercado norteamericano. A expectativa é que o Banco Central feche a operação ainda neste mês. "As coisas hoje estão mais fáceis que há um mês", disse Borges.
Ele destacou que o cenário macroeconômico mais positivo, com a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a entrada de capital externo estão ajudando na recuperação da credibilidade do País no mercado internacional.
A expectativa inicial era que o quadro melhorasse a partir de setembro, quando os reflexos positivos da CPMF para redução do déficit fiscal ficariam mais evidentes. Mas, enfatizou o presidente do BNDES, o mercado já está apostando na recuperação da economia.
"Estamos numa fase de otimismo", disse Borges, que prevê para este ano uma queda de 2,5% no Produto Interno Bruto (PIB), inflação ao consumidor entre 10% e 11%, juros nominais dos títulos da dívida pública de 27% ao ano e juros reais abaixo de 10% ao ano. "A nossa posição é conservadora", admitiu o presidente do BNDES.
Ele não descartou a possibilidade de que esses indicadores sejam mais positivos. "A taxa de juros poderá ser inferior a 27% ao ano." Uma evidência de que o cenário econômico é positivo, na avaliação de Borges, foi o resultado obtido com a privatização da Comgás, vendida com ágio de 119%. "O investidor estratégico sempre manteve seu interesse pelo País e a Comgás mostrou extamente isso."
Quanto ao processo de privatização das companhias federais geradoras de energia elétrica, Borges disse que, dependendo da necessidade, o pagamento poderá ser parcelado em duas ou três vezes.
Exportação - Para este ano, o BNDES pretende destinar US$ 3,5 bilhões para financiamentos à exportação, US$ 1,5 bilhão a mais que em 1998. O presidente do BNDES disse que a estrutura de incentivo ao comércio exterior, que foi criada atrelada ao Finame, já está em condições de se tornar independente em breve. "É uma questão de desenho e tempo", afirmou.
Quanto à dificuldade da pequena e média empresa de obter financiamento para exportar, Borges foi enfático e disse que dos 150 bancos que captam os recursos, apenas de seis a dez deles têm interesse em repassar o dinheiro para as companhias menores. Nesse sentido, o BNDES pretende reformular o programa, diferenciando para as empresas as instituições que são interessadas em emprestar para as pequenas e médias empresas.
Na sua análise, trata-se de um problema de comunicar melhor essas informações para o mercado.


