São Paulo, 28 (AE) - O chefe do Departamento Econômico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Armando Castelar Pinheiro, justificou a concessão pelo banco de financiamentos a multinacionais, argumentando que esse procedimento é coerente com a abertura aplicada à economia brasileira nos últimos anos, incluindo o fim da distinção entre empresas nacionais e de capital estrangeiro que era estabelecida na Constituição.
Para Castelar, essas reformas foram determinantes para que o salto o fluxo de investimentos estrangeiros diretos saltasse de US$ 617 milhões em 1990-91 para US$ 26 bilhões em 1998. "Tanto as empresas brasileiras como as multinacionais podem contribuir para o desenvolvimento econômico e social do Brasil", sustenta Castelar no artigo "Adaptando aos novos tempos", publicado esta semana no site do BNDES na Internet.
"Na decisão de apoiar um empreendimento, este deve ser o critério de aferição utilizado, e não a nacionalidade do proprietário da empresa ", argumenta o economista. Ele sustenta que "a competitividade do Brasil frente a outros países na atração do investimento estrangeiro cresce conforme este pode contar com o apoio do BNDES".
O artigo é uma resposta a críticas motivadas pelo financiamento de R$ 101,7 milhões que o banco aprovou recentemente para a francesa Michelin utilizar na implantação de uma nova unidade de produção de pneus no município de Itatiaia (RJ). "Não deixa de ser curioso que alguns dos que criticam o BNDES por financiar esses investimentos sejam os mesmos que criticam a "abertura exagerada às importações", ironiza Castelar.
Depois de argumentar que sem este projeto provavelmente o grau de nacionalização na produção de automóveis Se reduziria, "exportando-se os empregos aqui gerados pela Michelin", o chefe do Departamento Econômico do BNDES, indaga se o banco não deveria apoiar um projeto que, além de gerar empregos, "permite uma substituição responsável de importações, com tecnologia de ponta e alta produtividade".
No entanto, Castelar pondera que os seus argumentos não devem ser entendidos como uma restrição aos investimentos de caráter social, "cujo retorno financeiro é por vezes pequeno". Ele afirma que o banco tem concedido empréstimos favorecidos para ONGs, projetos de fomento em regiões menos desenvolvidas e micro crédito para pessoas de baixa renda.
E conclui que as iniciativas de alcance social são financiadas com o retorno dos empréstimos às multinacionais, estas sim operações lucrativas, com baixo risco de crédito", conclui.

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