BNDES diz que troca de títulos será indicador de estabilidade do mercado
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domingo, 16 de maio de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 17 (AE) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, disse hoje que será uma boa notícia se não houver interesse de investidores internacionais em trocar títulos de empresas endividadas na operação planejada pelo banco. "Quando esta operação não mais interessar, será porque o mercado estará bom"
afirmou Borges, no primeiro dia do XI Fórum Nacional de Altos Estudos, realizado na sede do banco.
O presidente informou que um fracasso da troca de títulos não seria para ser lamentado. "Seria como fazer um seguro de vida e ficar decepcionado ao constatar que não se morreu", comparou. No dia 21 será definido o número de investidores que entrará na operação, e o volume de títulos a ser trocado.
Borges avisou que bancos que querem livrar-se de suas aplicações em papéis do mercado latino-americano já informaram que vão aderir à operação. Ele alertou que, caso as instituições financeiras queiram, em vez de trocar os papéis, vendê-los diretamente no mercado, terão prejuízo. "Eles vão deprimir o papel por muito tempo", argumentou. Os bancos Indosuez e Australian New Zealand foram dois citados pelo presidente do BNDES como exemplo de instituções que irão realizar a troca de papéis, para sair do mercado latino-americano. Borges não quis dizer quanto as duas instituições têm em aplicações em títulos de companhias brasileiras.
Ao comentar o anúncio feito pela Globopar, de que a empresa não tem necessidade de ser socorrida pela operação, Borges lembrou que a opção de trocar os papéis cabe aos investidores, e não às empresas que lançaram títulos no Exterior. Ele negou que o próprio BNDES seja o principal beneficiário da operação, porque o prazo de pagamento dos bônus lançados originalmente, de nove anos e meio, é praticamente igual ao dos novos títulos que seriam trocados. O montante da dívida do banco é de US$ 1,25 bilhão.
Incentivos - Borges, afirmou que para incentivar as exportações de pequenas e médias empresas, o banco estuda o oferecimento de incentivos aos bancos que repassariam recursos do BNDES para o setor, e a ampliação dos limites de classificação deste segmento pelo BNDES.
Enquanto o banco considera pequenas e médias empresas aquelas que faturam até US$ 8 milhões anuais, o limite do Mercosul vai até US$ 20 milhões anuais, e do limite do Banco do Brasil (BB), US$ 100 milhões.


