BNDES deve financiar construção civil
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 17 (AE) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá financiar investimentos na construção civil, afirmou hoje, em São Paulo, o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias. Por enquanto, essa é uma atribuição da Caixa Econômica Federal, mas, segundo o ministro, o elevado potencial do setor em relação à oferta de emprego poderá levar o governo a mudar essa norma. Tápias disse que aguarda um projeto que está sendo preparado por empresários do setor. "Se os argumentos que apresentarem me convencerem, vou autorizar a participação do BNDES no financiamento da construção civil."
A argumentação dos empresários do setor da construção civil já é conhecida pelo ministro do Desenvolvimento. Segundo o coordenador da Comissão da Indústria da Construção (CIC) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Carlos de Oliveira Lima, o setor, isto é, da produção do calcáreo à manutenção dos aparelhos de iluminção, é responsável por 14,8% do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega 13,5 milhões de trabalhadores. Além disso, a cada emprego criado na indústria da construção civil, outros três indiretos são criados nas demais áreas da atividade econômica.
Lima diz ainda que cria-se um emprego no setor com investimento de R$ 13 mil a R$ 14 mil, enquanto em setores de alta tecnologia, como a indústria automobilística, são necessários mais de R$ 100 mil em investimento para a criação de uma única vaga. Além disso, afirmou durante almoço oferecido a Tápias, a mão-de-obra obsorvida pela construção civil é não especializada, o que significa que os recursos aplicados na atividade têm retorno rápido do ponto de vista social.
O déficit habitacional, informou Lima, é de 5,5 milhões de unidades. O empresário disse que apenas 2% malha rodoviária do País estão em boas condições. O restante precisa ser recuperado. O coordenador da Fiesp argumentou ainda que apenas 1% dos insumos usados pela construção civil são importados. Apesar das condições favoráveis, o setor está estrangulado pelas taxas de juros elevadas, pela escassez de financiamento, pelo elevado custo dos encargos sociais e pela alta informalidade existente no setor.
Tápias reconhece a importância do setor. Para ele, a estabilidade das famílias depende de um teto para morar. Há muitas razões que o levam a acreditar que é preciso reforçar os investimentos no setor, disse.
Tápias acredita que as condições são favoráveis para o crescimento do setor neste ano. Afirmou que a taxa de juros básica da economia chegará a um dígito até o fim do ano, o que deverá contribuir para a aceleração das atividades nos próximos meses.


