BNDES deixará de financiar empresas nos leilões de privatização
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de abril de 2000
Por Maria Fernanda Delmas e Fernando Thompson 
Rio, 19 (AE) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está disposto a não financiar mais a aquisição de empresas nos leilões de privatização, salvo quando houver ordem do próprio governo ou nos casos em que o banco já se comprometeu a conceder empréstimos. Segundo o presidente do BNDES, Francisco Gros, o banco trabalhará com recursos "cada vez mais escassos" para o volume de pedidos de empréstimos, por isso terá definir prioridades, e uma delas é a exportação.
A compra de ativos, na visão de Gros, não é prioritária em um momento em que a demanda por crédito cresceu 23% - no primeiro trimestre deste ano, em relação a janeiro a março de 1999. Mas o BNDES manterá os compromissos que já assumiu para financiar a venda da Manaus Saneamento e das distribuidoras de energia do Maranhão e do Piauí.
Para o leilão de Furnas, Chesf e Eletronorte, ainda não houve uma orientação do Conselho Nacional de Desestatização (CND), explicou Gros.
Para um orçamento de R$ 20 bilhões, a demanda chegará a R$ 30 bilhões, estima o diretor financeiro do banco, Isaac Zagury. O problema será resolvido com medidas seletivas. "O BNDES financiava até 75% de um projeto, e agora vai baixar estar participação para 30% a 40%", adiantou. Segundo Zagury, o BNDES também vai buscar mais dinheiro no exterior. Está sendo preparada uma captação de US$ 1 bilhão em julho.
Enquanto a fonte pode secar para os leilões de desestatização, o governo pediu prioridade para as exportações. O setor deve receber mais de US$ 3 bihões este ano, lembrou Gros
50% a mais do que em 1999.
Para o presidente do banco, o Brasil precisa fugir da "armadilha da década de 80", ou seja, da idéia de que o País só consegue aumentar suas exportações quando há recessão no mercado interno. Gros afirmou, na abertura de um seminário sobre exportações, hoje, no Rio, que o governo quer financiar a venda de produtos de maior valor agregado e ampliar a base de empresas exportadoras. Segundo Gros, nem as empresas brasileiras nem as estrangeiras instaladas no País estavam voltadas para o mercado externo. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1


