São Paulo, 24 (AE) - A expansão e modernização das indústrias só contarão com financionamentos oficiais se os projetos proporcionarem crescimento do mercado de trabalho, forem destinados à substituição de importações, garantirem desenvolvimento regional equilibrado e ajudarem a aumentar as exportações.
Esses requisitos condicionam a liberação de crédito para aquisição de máquinas pela Agência Especial de Financiamento (Finame) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informou ontem, em São Paulo, o secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio, Hélio Mattar.
Esses também serão os critérios para a liberação de novas linhas de crédito ao setor têxtil, o que poderá ocorrer dentro de algumas semanas, segundo anunciou o ministro do Desenvolvimento da Índústria e do Comércio, Celso Lafer.
O valor total das linhas de crédito a ser liberado não foi definido. Depende do exame do documento com o diagnóstico do setor entregue hoje ao ministro Celso Lafer pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf.
Segundo recomendações da empresa de consultoria internacional Gherzi Textil Organisation, responsável pela avaliação da indústria têxtil brasileira, o setor precisa de investimentos da ordem de US$ 10,8 bilhões num período de oito anos.
Os recursos deverão ser aplicados na execução de projetos para o desenvolvimento de empresas que integram a cadeia têxtil, do algodão, cuja produção deve alcançar a auto-suficiência, ao artigo do vestuário.
Os recursos são considerados indispensáveis para equipar a indústria que deverá atender ao mercado interno, resistir à concorrência dos importados e, ainda, ampliar as exportações. Esse volume elevado de recursos é considerado indispensável para corrigir a insuficiência dos investimentos feitos nas últimas três décadas.
Dos cerca de US$ 6 bilhões investidos no setor nos últimos cinco anos, o BNDES participou apenas com 30%, informou Skaf. Dessa vez, as empresas dependem de participação maior dos órgãos oficiais para o financiamento dos projetos das empresas.
O setor têxtil, segundo o ministro Lafer, está entre os que atendem às prioridades estabelecidas pelo governo. Têm elevado potencial para expandir as exportações e utiliza mão-de-obra de forma intensiva. A indústria têxtil, segundo Lafer, é importante para a economia, uma vez que permite o desenvolvimento agrícola, de vários outros setores industriais e do comércio exterior.
Além do têxtil, os demais setores considerados prioritários pelo governo por causa do seu efeito multiplicador são o de calçados, móveis e de construção civil. Esses ramos de atividade, segundo informação de Mattar, receberão linhas de crédito especiais.

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