Rio, 30 (AE) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aumentou seu apoio às exportações no ano passado. Enquanto em 1998 o banco destinou 11,3% do desembolso total, de R$ 18,9 bilhões, ao financiamento das vendas externas, em 1999 esta participação cresceu para 19% dos desembolsos de R$ 20 bilhões. Os dados fazem parte do balanço da instituição, publicado hoje, mas cujos números foram divulgados no final do ano passado. O BNDES apurou lucro consolidado de R$ 682 milhões em 1999, ante R$ 810 milhões no ano anterior. Os ativos cresceram 9,7%, para R$ 88,6 bilhões.
Pelo programa BNDES-Exim, destinado a financiar exportações, o banco concedeu US$ 965 milhões à Embraer, contribuindo, como destaca o relatório, para que a empresa alcançasse a posição de maior exportadora brasileira. O BNDES-Exim também atingiu novos mercados, como a exportação de veículos pesados para o México, Cuba e Jamaica.
A BNDESPar, subsidiária do banco para participações, encerrou o ano passado com ativos totais de R$ 20,8 bilhões. O investimento em 1999 atingiu R$ 5,8 bilhões. Deste volume, R$ 3 2 bilhões foram decorrentes de compras no mercado secundário de títulos, principalmente papéis das concessionárias de energia elétrica e telecomunicações.
A carteira de ações da BNDESPar, que valia R$ 10,9 bilhões no final do ano, incluía a participação em 163 empresas. As mais importantes eram Eletrobrás (R$ 2,023 bilhões), Eletropaulo Metropolitana (R$ 1,243 bilhão), Light (R$ 847 milhões) e Petrobrás (R$ 843 milhões), segundo o relatório. Mas este ano a BNDESPar leiloou suas ações da Eletropaulo e da Light ligadas e não ligadas ao bloco de controle, arrecadando R$ 3,1 bilhões, que poderão ser usados para compra de ações de outras empresas.
O BNDES também apoiou projetos nas várias regiões do País. No Sudeste, o destaque foi o financiamento de R$ 595 milhões à Telesp Celular. No Norte, o banco emprestou R$ 100 milhões para a Companhia Vale do Rio Doce e no Nordeste, R$ 121 milhões à central petroquímica Copene.
O banco reconhece que os resultados com privatizações foram tímidos em 1999. Dentro do Programa Nacional de Desestatização (PND), foi vendida apenas a Datamec e arrendado o terminal de contêineres e cargas pesadas do Porto de Salvador. "A razão deste tímido resultado deve ser atribuída, basicamente
às incertezas em torno da área econômica vividas durante o ano pelo País", justifica o relatório. As privatizações realizadas pelo Estado de São Paulo - área noroeste de gás, Cesp Paranapanema e Cesp Tietê. Para 2000, o BNDES aposta na venda do IRB Brasil, o monopólio de resseguros, marcada para abril, e do Banespa, marcada para junho.
Segundo o relatório, "a privatização das geradoras de energia elétrica federais remanescentes, Furnas, Chesf e Eletronorte, deverá proseguir tão logo sejam definidos aperfeiçoamentos dos modelos de venda, ora em estudo pelo CND (Conselho Nacional de Desestatização)". Para o banco, há entraves na privatização de saneamento: as indefinições quanto à titularidade do poder de concessão e a falta de uma agência reguladora.

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