Rio, 8 (AE) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta semana financiamento para a Gerdau investir na Açominas, mas não há nada de concreto para que o grupo compre a parte da Vicunha na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A informação foi dada hoje pelo diretor do BNDESpar, empresa de participações do banco, Nelson Rozenthal.
Ele esclareceu que o BNDESpar vai passar a integrar o capital da Gerdau, com a posse temporária de R$ 63 milhões de participação em debêntures que podem ser trocadas por ações, para que o dinheiro seja investido na Açominas. Mas quanto à compra de parte das ações da CSN pelo grupo gaúcho, o diretor do BNDESpar afirmou apenas que "existem diversas conversas" sobre a reestruturação no setor, mas sem o surgimento de fatos concretos.
As debêntures do BNDESpar em nome da Gerdau deverão ser vendidas mais tarde, depois que houver as fusões de empresas siderúrgicas, que aumentarão o valor destes papéis, explicou Rozenthal. Ele afirmou que a emissão de debêntures conversíveis em ações vai ser a medida básica pela qual o BNDES vai apoiar as reestruturações dos setores siderúrgico, de papel e alumínio e petroquímico, como planeja o governo.
Competição - Rozenthal afirmou que estas fusões são necessárias para as empresas nacionais terem condições de competir no mercado internacional. "As empresas locais, apesar do porte razoável para a conjuntura nacional, são pequenas no mercado externo", explicou. Para o diretor do BNDESpar, as fusões nestes três setores não resultariam em concentração de poder econômico e na formação de monopólios que controlariam os preços dos produtos que estas empresas fabricam.
O diretor do BNDESpar argumentou que a manipulação de preços é impedida em uma economia aberta e a competição internacional. Ele acrescentou que as companhias dos três setores têm capital aberto, com ações negociadas em bolsa, o que evitaria a concentração do seu controle. Como o apoio do banco será por meio de emissão de debêntures, que mais tarde seriam vendidas, ou, na pior hipótese, quitadas caso não houver fusão, o governo não dará subsídios às empresas, afirmou.

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