Rio, 23 (AE) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social está preparando um diagnóstico sobre a reformulação do setor de aviação, mas deixará a cargo das próprias companhias aéreas as decisões sobre o tipo de associação a ser feita entre elas. "O desafio do banco é antecipar as condições básicas e determinar as possibilidades com as quais as empresas privadas podem contar para a compra, venda, aglutinação e coisas do tipo", disse o presidente do BNDES, Andrea Calabi, antes de iniciar uma palestra hoje na Escola Superior de Guerra.
Calabi disse que estão sendo feitas, pelo Ministério do Desenvolvimento, ao qual o banco é vinculado, "interfaces" entre Vasp, Varig, Tam e Transbrasil. "Estamos numa fase de coleta de situações para efeito de um diagnóstico", comentou. Depois disso, o banco deverá abrir oportunidades de financiamento às empresas. "Mostraremos com o que elas podem contar e de que forma." A ingerência do banco, porém, será inferior à que havia sido pensada anteriormente para setores considerados estratégicos e também passarão por reformulações, como os de siderurgia, papel e celulose e petroquímica, alvos de estudos pelo banco há mais de um ano.
"Já não compete ao banco ser determinista na montagem dos grupos ou nas aglutinações, fusões e aquisições", disse Calabi. "Este é um momento no qual a articulação entre os capitais privados envolvidos é muito revelante e essas conversas estão andando, em mineração, siderurgia, petroquímica, eletroeletrônica, companhias aéreas, papel e celulose e alumínio", afirmou.
Há cerca de três semanas, uma reunião em São Paulo reuniu os presidente das quatro maiores companhias aéreas nacionais. As especulações são de que haverá fusões no setor para solucionar problemas de caixa nas empresas, que também podem negociar associações com companhias estrangeiras. Calabi não comentou os rumores do mercado, mas salientou que a expectativa, no BNDES, é que a "organização dos acionistas privados acabem encontrando direções desejadas". Depois disso, o banco poderá dar apoio às medidas.
"Estamos numa segunda onda pós-privatização", avaliou. Depois da venda de estatais que mobilizou blocos importantes do capital privado nacional e e estrangeiro, ele considera "muito razoável" os reordenamentos que estão prestes a ocorrer. "Isto vai atender aos interesses de competitividade", acredita.

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