São Paulo, 12 (AE) - O presidente da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), Manoel Félix Cintra Neto, revelou hoje que desde o dia 8 de dezembro, quando foram lançados os contratos futuros de commodities em dólar, a média diária de negócios tem sido de US$ 150 mil, o que equivale a cerca de 200 a 300 contratos. Segundo ele, a garantia dos investidores externos nesses contratos já atingem US$ 5 milhões.
Ele disse que os investidores estão aplicando basicamente no contrato de café e que o número de estrangeiros já e de 5% do total das posições em aberto deste contrato. Segundo Cintra Neto, a BM&F trabalha com o objetivo de dobrar o volume financeiro dos contratos agrícolas em 2000 em função da abertura destes contratos para o capital externo. A expectativa é de que o volume negociado em 2000 atinga os US$ 8 bilhões. "A maior participação do investidor estrangeiro vai aumentar a liquidez dos futuros de commodities e dessa forma permitir o acesso de um volume maior de investidores locais".
Ele disse também que todos os contratos futuros de commodities da BM&F já podem contar com a participação de capital estrangeiro, mas que nesse primeiro momento o marketing está concentrado no café. Cintra também trabalha com a expectativa de lançar, durante 2000, os contratos de álcool anidro e álcool hidratado já no primeiro trimestre e existem estudos para a criação dos contratos de trigo e de bezerro.
Cintra Neto acredita no crescimento dos futuros de commodities como foco de financiamento da agricultura, já que o modelo de financimento tradicional do governo já está extenuado. "A BM&F conta com apoio dos ministros Malan e Pratini de Moraes neste processo", disse. Segundo ele, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, deverá divulgar ainda este mês o lançamento da CPR com liquidação financeira.
Ao contrário do que aconteceu com os contratos futuros financeiros da BM&F, os contratos agrícolas cresceram em 99 devido a uma maior divulgação para os investidores e produtores agrícolas do País. Para Cintra Neto, 99 foi o ano mais difícil que a BM&F já atravessou por causa dos efeitos da desvalorização. Segundo ele, os negócios em 99 caíram porque aumentou a volatilidade dos três principais mercados da BM&F que são os juros, o câmbio e o Ibovespa.
"Quando a volatilidade aumenta, a necessidade de garantias também cresce e isto acabou inibindo o volume de operações", disse. Os níveis de garantia da BM&F cresceram no ano de 1999 de R$ 8,5 bilhões para R$ 19,26 bilhões. Cintra acredita, contudo, que a Bolsa já está em processo de recuperação, registrando um crescimento do volume de negócios de R$ 15 bilhões para R$ 22 bilhões ao dia. No dia 31 será inaugurada a nova sede da BM&F, também na região central de São Paulo, que recebeu investimentos de cerca de R$ 27 milhões.

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