BM&F espera derrubar último obstáculo à abertura internacional
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Renato Stancato 
São Paulo, 05 (AE) - A definição sobre a postura fiscal em relação aos investidores estrangeiros é o último obstáculo para a abertura dos contratos agropecuários ao mercado internacional. A abertura deve se consumar dentro de 15 dias, segundo o presidente da BM&F, Manoel Félix da Cintra Neto, que participou hoje do seminário "A abertura do mercado futuro agropecuário ao investidor estrangeiro".
Segundo Cintra Neto, a expectativa é de que a Receita Federal dê um parecer sobre o tema até sexta-feira. "É fundamental que a alíquota seja zero para que a abertura não fique inviabilizada", disse. A BM&F fará um road show para divulgar seu mercado futuro agropecuário. Estão programadas apresentações em Nova York, Chicago e Londres.
"Temos notado muito interesse da parte de traders internacionais", disse Cintra Neto. Dentro do processo de inserção no mercado de derivativos internacional, a BM&F está constituindo uma aliança com a Chicago Mercantile Exchange (CME)
a Bolsa de Paris e Simex Singapura. Mais duas bolsas devem entrar na aliança em breve. A aliança deverá melhorar os custos, a tecnologia e a competitividade da BM&F. Em sua palestra, Cintra Neto, também afirmou que o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, está encampando o projeto da Cédula do Produto Rural (CPR) financeira. Esta CPR, segundo o presidente da BM&F, deve aumentar a liquidez do mercado futuro e reduzir o custo financeiro da produção brasileira.
Juros - O ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, afirmou que os juros têm condições de recuar mais. Só não se pode dizer que isso vá ocorrer na reunião de amanhã do Copom, disse Barros. Mendonça de Barros também participou do seminário. Ele observou que a livre flutuação do câmbio deu espaço para que a política monetária tivesse maior independência. "Por isso observamos a redução do compulsório nos depósitos à vista e a queda da Selic.
Para Barros, não existe ameaça inflacionária ao Brasil no curto prazo. "Mesmo com a alta do petróleo e uma seca que prolongou a entressafra de carne. Além de tudo, não parece haver possibilidade de os juros subirem lá fora". Barros notou que a redução dos juros interessa tanto à economia real quanto ao programa fiscal brasileiro, já que os juros altos oneram as contas do governo. Questionado sobre a proposta do governo de taxar as remessas de lucro para compensar a derrota no Supremo, Barros disse que a idéia não é "muito de seu gosto". "Mas há um cardápio de medidas indigestas para resolver este problema e cabe ao governo decidir qual medida tomar".
Mendonça de Barros acredita que a internacionalização dos mercados futuros de commodities agrícolas será benéfica para a safra brasileira. "É preciso ter cautela com estes mecanismos
mas tudo indica que esta é a alternativa para a agricultura comercial", disse. "Afinal, o interesse de hedge por traders estrangeiros não deverá faltar". Barros também ressaltou a importância da CPR financeira como instrumento de financiamento agrícola. "Uma vez que o governo está participando cada vez menos do financiamento à produção, é necessário que o próprio mercado estabeleça alternativas viáveis e a possível aprovação do instrumento é positiva". Barros notou, contudo, que os pequenos produtores deverão continuar sendo amparados pelo governo.


