Bloqueios na fronteira provocam protesto
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terça-feira, 25 de setembro de 2001
Emerson Dias<br> De Foz do Iguaçu 
Caminhoneiros, donos de transportadoras e comerciantes da Central de Abastecimento (Ceasa) de Foz do Iguaçu bloquearam ontem a BR-277 entre Foz e Santa Terezinha de Itaipu em protesto contra os prejuízos acumulados durante 11 dias de fechamento da fronteira. Revoltados, os motoristas jogaram na rodovia frutas, legumes e verduras.
A manifestação começou às nove horas e seguiu até o meio-dia. Cerca de 150 caminhões interditaram o trecho duplicado da BR, provocando filas nos dois sentidos que chegaram a quase oito quilômetros. Segundo o representante da Associação Representativa dos Usuários, Comerciantes e Produtores da Ceasa de Foz do Iguaçu (Arufi), Alcindo Melhorança Junior, a manifestação foi ''só um aviso'' às autoridades responsáveis pela fronteira, que ainda não encontraram uma solução definitiva para liberar o tráfego da Ponte da Amizade.
A via que liga Foz a Ciudad del Este vem sofrendo paralisações constantes de desempregados, sacoleiros e trabalhadores informais há três semanas (ver texto na página). ''Já deixamos de comercializar entre 10 mil e 12 mil toneladas de mercadoria durante os últimos 15 dias. Queremos que a situação seja resolvida, senão qualquer um vai se sentir no direito de fechar a ponte'', criticou Melhorança. Ele anunciou uma paralisação maior para a manhã de hoje, envolvendo centenas de caminhoneiros, caso a ponte continue fechada.
A Arufi entrou com dois pedidos de liminar, um deles especificamente destinado à liberação de 30 caminhões com produtos altamente perecíveis. Mas ontem à noite policiais rodoviários garantiram através de escolta a passagem dos caminhões.
Diariamente, cerca de 500 toneladas de hortifrutis são comercializadas na Ceasa de Foz, totalizando R$ 300 mil. Como 80% dos produtos são destinados ao país vizinho. O prejuízo acumulado é de quase R$ 5 milhões. Mesmo tendo parte dos carregamentos negociada com outras empresas da região Oeste do Estado, muitas cargas foram jogadas no lixo porque ultrapassaram o prazo de validade.
Para o empresário Valdemir Dallacorte, dono de uma transportadora local, as perdas podem ser bem maiores se incluírem despesas que as transportadoras vêm bancando com a manutenção dos caminhões parados na Estação Aduaneira do Interior (Eadi). ''Nossa empresa teve um prejuízo de R$ 12 mil somente na semana passada'', calculou Dallacorte. O empresário lembra ainda que o Sindicato das Transportadoras de Cargas de Foz conta com outras 340 empresas filiadas. A entidade estima que as diárias de estacionamento no porto seco (R$ 23,00), aliadas aos motoristas parados na fronteira, provocaram um prejuízo superior a R$ 3 milhões.
A balança comercial, cujas importações e exportações ficaram paralisadas por praticamente 15 dias, já aponta perdas que aproximam dos US$ 23 milhões (cerca de R$ 62 milhões). A Estação Aduaneira do Interior (Eadi) de Foz registra todos os meses (em média) US$ 63 milhões em mercadorias destinadas somente à exportação. No primeiro semestre deste ano, as exportações que passaram pela cidade somaram US$ 377 milhões. Até a noite de ontem, a Eadi mantinha o estacionamento lotado com mais de 600 caminhões. Incluindo os motoristas que aguardam a liberação da ponte estacionados em postos de combustível, estima-se que pelo menos 900 cargas estariam paradas na fronteira.


