Brasileiros que trabalham em Ciudad del Este, no Paraguai, bloquearam ontem a Ponte da Amizade, que liga os dois países, por mais de sete horas. Houve confronto com a polícia e seis pessoas foram presas e pelo menos 10 ficaram feridas sem gravidade. A manifestação aconteceu uma semana depois de paraguaios terem enfrentado policiais durante um bloqueio na ponte.

O protesto, que reuniu cerca de 8 mil manifestantes, começou às 6h30. Dezenas de pneus foram queimados, formando uma barreira de chamas na BR-277, rodovia que dá acesso à ponte que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este no Paraguai. O bloqueio, que já contava com a participação de sacoleiros e mototaxistas, ganhou força quando chegaram ao local oito mulheres ''expulsas'' da loja paraguaia onde trabalhavam.

Segundo a promotora de vendas, Marta Tomello, os fiscais do Ministério do Trabalho exigiram documentos paraguaios para que não fossem presas. ''Fomos escoltadas até a ponte e informadas que, caso eles nos encontrassem novamente, seríamos presas por permanência ilegal no país'', criticou a brasileira, lembrando que outras cinco pessoas também foram retiradas de lojas paraguaias.

Por volta das 8h30, a Polícia Federal liberou pedestres para atravessar a fronteira, entre eles um grupo de 90 estudantes chilenos que embarcariam para Santiago no Aeroporto Internacional de Ciudad del Este. Minutos depois, os manifestantes voltaram a bloquear totalmente a fronteira, avançando o cordão humano até a guarita da PF (que fica na cabeceira da ponte). O primeiro conflito começou às 9h45, quando um policial foi ferido por uma pedrada. Os cerca de 110 agentes da PF revidaram com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e golpes de cacetete. Uma pessoa foi presa e cinco ficaram feridas.

A população rebelada recuou cerca de 100 metros, mas manteve a barreira sobre a BR. Uma negociação entre o comando de greve e o delegado da PF e comandante da operação, Cesar Luiz Busto de Souza, resultou na liberação da pista das 14 horas às 16 horas. ''A manifestação pode ser feita, mas sem oferecer perigo aos inocentes, policiais e às instalações da ponte'', explicou Souza.

Passado o período do acordo, houve nova tentativa de interdição da via, mas os agentes da PF, juntamente com patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal e soldados do Grupo de Operações Especiais (GOE), impediram o agrupamento dos manifestantes. Outro conflito começou depois que o cinegrafista da TV Bandeirantes, Kleber Roberto de Carvalho, foi atingido na cabeça com uma pedra. Tiroteio e outras explosões de bombas de efeito moral foram ouvidas. Além de atender três pessoas feridas por ''projéteis de borracha'', equipe do Siate também apagou o fogo de uma barraca de lanches.

Disperçada a multidão, a pista finalmente foi liberada aos veículos e pedestres às 16h30. Cerca de 80% das lojas que atendem sacoleiros deixaram de funcionar durante os confrontos. O mesmo ocorreu na Vila Portes e Jardim Jupira, bairros próximos à Ponte da Amizade, onde parte das 400 lojas manteve as portas fechadas. A Ponte da Amizade, via com 552,4 metros de extensão, está passando por reformas e terá a segurança reforçada a partir da manhã de hoje.

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