Cerca de 3 mil táxis bloquearam ontem as entradas para o centro do Rio de Janeiro. A atitude provocou engarrafamentos de vários quilômetros e impediu que milhares de cariocas chegassem a seus locais de trabalho. Segundo a polícia, a partir das primeiras horas do dia centenas de motoristas de táxi começaram a bloquear as estradas para protestar contra uma decisão judicial que anulou a concessão de 13 mil novas licenças independentes para táxis.
Seguindo as ordens do secretário de Segurança do Estado, Josias Quintal, a polícia interveio várias vezes para liberar as vias de acesso e os policiais chegaram a quebrar os vidros de vários veículos que obstruíam as passagens para desarmar os freios de mão dos carros e removê-los. Em alguns casos, a polícia retirou os motoristas do interior de seus carros e os arrastou violentamente pelo chão.
Segundo Quintal, os motoristas de táxi terão que responder na Justiça pelo distúrbio que provocaram e que, apesar de ter sido anunciado, não foi autorizado. Eles poderão sofrer sanções ‘‘por impedirem o livre direito dos cidadãos de ir e vir’’.
Estes motoristas, que não são proprietários dos veículos, pagam diárias com valores entre R$ 80,00 e R$ 120,00 aos donos dos táxis para trabalhar. Além disso, ainda devem pagar a gasolina. Esses gastos os obrigam a trabalhar cerca de 16 horas por dia para obter algum lucro. As licenças que seriam concedidas representavam para estes motoristas a esperança de se estabelecer por conta própria e ganhar um salário mais digno.
Durante a campanha eleitoral, o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, autorizou estas 13 mil licenças que se somariam às 30 mil já existentes. No entanto, a Justiça anulou a autorização por considerar que o número de táxis na cidade já é suficiente.
Conde foi derrotado nas eleições por Cesar Maia, que assumirá o cargo no dia 1º de janeiro de 2001 e ficará responsável por esse assunto.

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