Além do campus em Maringá, UEM conta com outras seis unidades espalhadas pelas regiões Norte e Noroeste do Estado
Além do campus em Maringá, UEM conta com outras seis unidades espalhadas pelas regiões Norte e Noroeste do Estado | Foto: Divulgação/UEM


O contingenciamento de recursos das universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e do Oeste do Paraná (Unioeste) completou um mês no último fim de semana. A medida foi uma resposta do governo à recusa das instituições em aderir ao sistema de gerenciamento de recursos humanos dos órgãos estaduais, o Meta 4. Nas três universidades, que consideram que o instrumento visa retirar a autonomia local, alguns serviços e atividades acadêmicas funcionam precariamente. O assunto será tratado em audiência pública entre os reitores e representantes do governo na manhã desta terça (11), na Assembleia Legislativa.

O maior entrave é a falta de recursos para diárias e viagens, que continuam totalmente bloqueados. Na UEM, onde as atividades acadêmicas são distribuídas entre sete campi espalhados pelas regiões Norte e Noroeste, os deslocamentos ficam comprometidos. De acordo com o coordenador de Orçamento da UEM, Silvestre Alczuk, apenas os pedidos mais emergenciais têm sido atendidos. "Conseguimos a liberação para os deslocamentos necessários durante o vestibular, marcado para o próximo dia 18. Mas, no geral, encontramos dificuldades", disse.

Silvestre lembrou que os contingenciamentos são de recursos gerados pelas próprias universidades. Segundo ele, o governo tem feito liberações pontuais. "Nos anos anteriores tínhamos mais liberdade para gerenciar nossos recursos. Agora, estamos fazendo pleitos e a Secretaria da Fazenda tem nos atendido pontualmente", detalhou.

O reitor Mauro Baesso citou como exemplo o pedido para o empenho de R$ 1,1 milhão. "Este montante visa atender 12 itens, entre eles alguns emergenciais, como a aquisição de produtos para o laboratório de genética que faz exames de compatibilidade de células-tronco", detalhou.

Baesso espera que o diálogo com o governo avance nos próximos dias. "Somos gestores públicos com entendimento diferente sobre o assunto. Nós seguimos contrários à adesão ao Meta 4, pois consideramos que abre espaço para o uso político das universidades. Pode não ser exatamente deste governo, mas quem sabe o que pode acontecer a partir de 2019?"

A Unioeste se manifestou por meio da assessoria de imprensa e confirmou dificuldades com diárias e viagens. Segundo a universidade, somente as atividades "estritamente necessárias" estão mantidas, e as viagens são bancadas pelos participantes dos projetos. A reportagem também procurou a UEL, mas ninguém se pronunciou sobre o assunto.

A Seti (Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) informou que pretende continuar discutindo a proposta de autonomia das universidades. A pasta confirmou a manutenção do bloqueio de recursos de diárias, passagens e compra de equipamentos para as três universidades e lembrou que as instituições de ensino podem solicitar o descontingenciamento de recursos em situações de urgência.

O procedimento, segundo a Seti, é o mesmo do que ocorreu com a liberação de recursos de bolsas para estudantes indígenas, um dia depois de o problema ter sido identificado. Além disso, destacou a liberação de R$ 200 mil para a UEL utilizar no RU (Restaurante Universitário) e outras questões específicas, e de R$ 80 mil para a aquisição de equipamentos para o Hospital Veterinário da UEL.

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