Avaré, SP, 21 (AE) - O governador Mário Covas afirmou hoje, em Avaré, no interior do Estado, que a negativa do Senado em conceder o aval para dois empréstimos do Banco Mundial para São Paulo, no total de R$ 100 milhões, poderá comprometer a negociação de outros oito projetos fundamentais para o Estado. Os empréstimos bloqueados no Senado tratam da ligação entre a Estação Roosevelt (Brás) da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e o Terminal da Barra Funda (R$ 45 milhões) e do programa de irrigação à agricultura, com a criação de microbacias (R$ 55 milhões).
"Se esses projetos acabarem rejeitados, os outros também o serão, deixando São Paulo sem recursos para realizar obras importantes", disse Covas hoje pela manhã, ao inaugurar as obras de uma escola em Avaré. "Programas como o reforço na educação, o de despoluição do Tietê, novas extensões do metrô e do sistema da CPTM estarão prejudicados".
O governador insistiu na tese de que os empréstimos de R$ 45 milhões e R$ 55 milhões já foram aprovados pelo Senado. "O pior de tudo é que colocam (os senadores) as coisas como se estivessem negando um favorecimento a São Paulo, quando, na verdade, isso é apenas a sequência de uma acordo já aprovado pelos próprios senadores, negociado com a área econômica do governo e com os organismos internacionais financiadores", reclamou Covas.
De acordo com os argumentos da Secretaria da Fazenda, o atraso na privatização do Banespa - que deveria ter ocorrido no fim do ano passado - é a responsável pelo Estado ter ultrapassado o limite de endividamento previsto na Resolução 78/98 do Senado. O argumento dos parlamentares para recusarem o aval à São Paulo foi justamente esse. Para a secretaria, entretanto, o dinheiro que o Estado deveria receber em função da privatização do banco e das empresas geradoras da Cesp, também atrasada, poderia completar a receita orçamentária e adequar São Paulo aos limites de endividamento.
Covas voltou a justificar-se sobre a decisão de não pagar a parcela de R$ 2 bilhões que deve à União até a privatização do Banespa. Ele disse que há dois anos e meio vem pagando regularmente as dívidas relativas à renegociação com o governo federal, mas não pode deixar que providências que os órgãos da própria União "deixaram de tomar no tempo e na hora certa" venham criar novos encargos para os cofres do Estado.
"No dia anterior à minha posse como governador o Banco Central passou a administrar o Banespa, e agora depois de todo esse tempo, diz que existem dívidas para pagar e só depois disso poderá se vender o banco; mas foram eles que administraram o banco e não pagaram a dívida e agora penalizam São Paulo com o juros que eu não vou pagar", afirmou. O governador disse que não acredita ter havido interferência política em relação aos empréstimos que o Senado tentar obstar. Mas em outro trecho da conversa com os jornalistas deixou escapar que São Paulo vem enfrentando problemas com a área federal "como por exemplo a ida da Ford para a Bahia".

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