Rio, 09 (AE) - Folião que se preze não se contenta com o desfile das escolas de samba. Sai às ruas em blocos ou atrás de bandas, que, considera, ainda preservam a essência do verdadeiro carnaval de rua carioca. A três dias do início oficial da festa, a agenda do folião está lotada. Os mais importantes blocos e bandas do Rio saem esta semana.
Os blocos, que surgiram espontaneamente em reuniões de amigos, insatisfeitos com a falta do carnaval de rua, agora estão organizados: há lançamento de camisetas, escolha do enredo e eleição do melhor samba. E arrastam desde o público comum a importantes nomes da música, saudosos do carnaval de rua. Gente como Aldir Blanc, Beth Carvalho e Martinho da Vila.
Este ano, o "Simpatia é Quase Amor", um dos maiores blocos do Rio, faz 15 anos. O bloco já saiu no sábado passado, mas dá uma segunda chance ao público: no dia 14 tem repeteco do desfile. A concentração é a partir das 16 horas, na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, na zona sul. Uma bateria com cem componentes animará a festa.
Os foliões do "Simpatia" são famosos por levar galhardetes com frases satirizando a política e o cotidiano. "Entre um copo e outro no bar Paz e Amor, inventamos as máximas", explica um dos fundadores do bloco, Ary Miranda. Conta a lenda, que as cores do bloco, amarelo e lilás, são em homenagem a um conhecido antiácido usado contra a ressaca.
Fundado na mesma época do "Simpatia", o "Barbas" é famoso pelo banho durante o desfile, dado por um caminhão-pipa. Os foliões, preparados, usam sacos plásticos para proteger carteira e documentos. O bloco foi fundado por frequentadores do Barbas, restaurante e centro cultural que pertencia a Nelson Rodrigues Filho, o Nelsinho. O "Barbas" sai no sábado. A concentração é a partir das 15 horas, na esquina da Rua General Polidoro com Arnaldo Quintela, em Botafogo, na zona sul. Este ano, o enredo é "Baixo Barbas, o último que fecha", em protesto contra a determinação do prefeito Luiz Paulo Conde de fechar à uma hora da manhã alguns bares da zona sul.
O "Bloco de Segunda", que atravessa as ruas de Botafogo, sai na segunda-feira de carnaval, como o nome indica. A concentração do bloco, que já tem onze anos, é a partir das 17 hOoras em frente à Cobal do Humaitá, na rua Humaitá, zona sul. Os organizadores esperam receber dois mil foliões.
O Bloco do "Clube do Samba", o mais antigo da nova geração, foi fundado em 1979 pelo cantor e compositor João Nogueira e sai duas vezes no carnaval. A festa começa a partir das 17 horas, na Cinelândia, no centro, sábado e na terça-feira. Na sexta-feira e na terça-feira de carnaval, a partir das 17 horas, sai um outro tradicional bloco da cidade, o "Bloco das Carmelitas". A concentração é na Rua Dias de Barros, na esquina com a Ladeira de Santa Teresa. Fundado em 1990, o bloco tem uma bateria de 70 componentes e costuma ser acompanhado por cerca de três mil foliões, que percorrem as ruas e ladeiras do bairro de Santa Teresa.
E tem carnaval para todos os gostos. O "Bloco da Ansiedade", que se concentra na Rua Farme de Amoedo a partir das 16 horas do dia 15, é especializado em frevos, maracatus e marchas de carnaval. Três bonecos vindos especialmente de Olinda (PE) vão enfeitar o bloco.
Bandas - O carnaval de rua carioca também é feito por bandas. Ao contrário dos blocos, animados por baterias e que seguem um enredo, as bandas incluem metais e tocam várias músicas de carnaval - de marchinha a samba-enredo de escola de samba. A mais famosa delas é a "Banda de Ipanema", fundada em 1965, que sai no sábado e na terça- feira de carnaval. Este ano, os padrinhos da banda são a vedete Virgínia Lane e o jornalista e escritor Fausto Wolff. A concentração é na Praça General Osório, em Ipanema, na zona sul, a partir das 16h.
Pelas ruas do centro desfila a "Banda do Cordão da Bola Preta", que se reuniu pela primeira vez no Revéillon de 1918. Uma mulher com vestido de bolinha inspirou o nome da banda, que tem sede própria onde são promovidos bailes de carnaval. Este ano, o bloco sai no sábado de carnaval, às 9h, na Cinelândia, no centro.

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