Rio, 01 (AE) - O carnaval de rua carioca voltou aos bons tempos. Há 15 anos se resumia praticamente ao sambódromo, mas hoje blocos e bandas atraem milhares de pessoas, durante e antes da festa oficial. Poucos exigem fantasia ou camiseta e, a cada ano, surgem novos grupos. "Os blocos mantêm a irreverência carioca e renovam a música de carnaval", teoriza o sociólogo argentino Jorgito Sapia, que há sete anos fundou com a historiadora Irene Brasil e Chico Médico o "Meu Bem eu Volto Já", que sai amanhã, no Leme, na zona sul.
Blocos saem só com bateria cantando músicas próprias e bandas têm também instrumentos de sopro tocando marchinas tradicionais. Há para todos os gostos. Do tradicional "Cordão da Bola Preta", o mais antigo que sai da Cinelândia e passa pelas ruas do centro desde 1918, ao novíssimo "Bloco da Bobeira", que pretende estrear amanhã, em Laranjeiras, na zona sul. Alguns têm enredos de crítica política e outros são neutros em suas sátiras.
Todos surgiram da mesma forma: amigos que gostam de carnaval se reunem, criam o grupo, vendem camisetas, promovem festas para arrecadar dinheiro (a bateria e o carro de som são pagos) e, literamente, põem o bloco na rua. Alguns atraem mais de cinco mil pessoas, como o "Simpatia é Quase Amor" e a "Banda de Ipanema", ambos no bairro do mesmo nome, mas outros não chegam ao meio milhar de foliões, como o "Barbas", do jornalista Nelson Rodrigues Filho, em Botafogo. Há quem prefira estes, por por achar mais charmoso.
No conjunto, ficaram tão importantes para o carnaval carioca que a Riotur, empresa de turismo da prefeitura carioca, criou um roteiro em inglês e português, que ficou até engraçado. Afinal, se é fácil traduzir o duplo sentido de "Bloco de Segunda" (ficou Monday-or Second Rate- "Bloco"), "Rola Preguiçosa" virou Lazy Dick (que é um palavrão em inglês) e "Dois pra Lá, Dois Pra cá", do professor de dança de salão Carlinhos de Jesus, ficou "One, two, three... one, two, three"
que não quer dizer nada no dois idiomas.