Buenos Aires, 18 (AE-IPS) - A Argentina e o Chile são atualmente os únicos países da América Latina aptos a participar da criação de uma moeda única regional. Dois especialistas chilenos - o ministro da Fazenda Eduardo Aninat e o economista Tomás Flores, do Instituto Liberdade e Desenvolvimento (ILD) - disseram hoje (18), em Santiago, que a "euro latino-americana" é uma proposta de longo prazo. Segundo os especialistas, a idéia de unificar monetariamente o continente, com o dólar americano como moeda comum, é bastante complexa e difícil de ser materializada.
A desvalorização do real brasileiro e os ataques especulativos às moedas de outros países latino-americanos, com graves riscos atualmente para Equador e Colômbia, colocaram a questão na agenda econômica regional para este ano. A entrada em vigor do euro em 11 dos 15 países da União Européia (UE) também animaram a discussão.
Para Iglesias, o tema vai figurar nas próximas reuniões regionais sobre economia e finanças. Atualmente, uma das propostas mais avançadas é a do presidente da Argentina, Carlos Menem, de criar uma moeda comum do Mercosul. Os presidentes dos países do bloco subregional acolheram a idéia de Menem, contudo apenas em níveis protocolares. Buenos Aires em breve deve por em prática o pagamento de salários de funcionários públicos, e a cobrança de impostos, em dólares.
Para os especialistas, tanto a dolarização do continente quanto a criação da moeda comum requer uma homogeneização das economias regionais. Para Aninat é fundamental definir antes os critérios macroeconômicos e os instrumentos que os países deverão se comprometer a cumprir. Dentre esses critérios estaria o de ter um déficit fiscal inferior a 3% do PIB, uma dívida pública de menos de 60% do PIB e uma inflação menor que a média dos países de preços mais baixos da região. Por último, as taxas de juros não deveriam superar os dois pontos porcentuais da média dos três países com inflação mais baixa.
Estudo do jornal chileno El Mercúrio mostra que os Estados Unidos são o único país do continente a cumprir com esses quatro critérios enquanto Canadá, Argentina e Chile cumprem três deles. México e Peru cumprem dois dos critérios e Brasil, Colômbia e Venezuela apenas um dos requisitos.

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