Bloco governista se reorganiza após troca de secretários
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segunda-feira, 13 de setembro de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 14 (AE) - Um dia depois de o prefeito Celso Pitta (PTN) ter trocado os secretários das Administrações Regionais e das Finanças, o bloco governista na Câmara deu os primeiros sinais de reação e só não sepultou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre irregularidades na administração porque três parlamentares da situação estão em licença médica - Maria Helena (PL), Edivaldo Estima (PPB) e o estreante Carmino Pepe (PL).
José Antônio de Freitas (Finanças) e Domingos Dissei (Administrações Regionais) deixaram os cargos ontem. Eles foram substituídos, respectivamente, por Deniz Ferreira Ribeiro e Naor Guelfi, que ocupavam as pastas da Habitação e Abastecimento. Embora Pitta negue ter cedido a pressões, Freitas e Dissei vinham recebendo duras críticas de vereadores e até mesmo de outros secretários. Freitas não abria mão do contingenciamento orçamentários e Dissei reduziu o espaço político dos parlamentares. "Flexíveis" - A saída dos secretários teve repercussão direta na Câmara. Vereadores governistas admitiram hoje que as mudanças foram o primeiro passo para a reaproximação entre o Executivo e a bancada e elogiaram as posições mais "flexíveis" dos novos secretários. O vereador Miguel Colasuonno (PPB) disse que as mudanças atingem áreas administrativas sensíveis, que reaproximarão a Câmara e o Executivo. "Faltam alguns pequenos ajustes administrativos, mas isso ocorrerá com o tempo".
O ex-líder do PPB, Paulo Frange (PTB), garante que não teve problemas pessoais com Dissei, mas acha que Guelfi "vai buscar um atendimento da base governista como um todo". Quanto a Freitas, apesar de elogiá-lo, Frange disse acreditar na possibilidade de manter a austeridade e a "torneira (de verbas) pingando". "Com o Freitas, ela não pingava". Para Toninho Paiva (PFL), a saída de Dissei acaba com a "ciumeira" na base. "É duro você saber que terá um adversário com uma máquina monstruosa na mão", admitiu, referindo-se às administrações regionais. Ele disse ser favorável às indicações políticas, desde que quem cometa erros seja punido. CPI - Os governistas evitaram hoje a votação da CPI da oposição por não dispor de quórum e em virtude de divergências políticas que ainda permanecem - há comentários na Câmara de que PMDB e PTB reivindicam participação direta no governo -, mas se uniram e votaram 23 projetos. "Há quanto tempo estávamos tentando isso sem conseguir", exultou Frange. A oposição pode questionar na Justiça a constitucionalidade da votação em bloco. Os oposicionistas alegam que seu direito de discutir os projetos foi ignorado.


