"Bloco" governista é derrotado ao tentar derrubar CPI
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 18 (AE) - O "bloco" governista na Câmara Municipal tentou derrubar hoje a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta pela oposição para investigar denúncias de irregularidades envovendo vereadores e órgãos da Prefeitura, mas não conseguiram os votos necessários e sofreram a maior derrota desde a aprovação da CPI dos Fiscais - aprovada no primeiro semestre deste ano. Para rejeitar o pedido de CPI são necessários 28 votos, mas a situação só conseguiu 27.
A oposição pediu a CPI depois que os vereador Paulo Roberto Faria Lima (PMDB) e a vereadora Maria Helena (PL) foram, respectivamente, acusado de chefiar esquema de cobrança de propinas na Administração Regional de Pinheiros e indiciada por formação de quadrilha e peculato.
A situação decidiu apresentar outro requerimento de CPI para tumultuar o processo e evitar a aprovação da comissão defendida pela oposição.
Os parlamentares que apóiam o prefeito Celso Pitta (sem partido) decidiram, depois quase três horas de reunião, rejeitar o pedido de instauração de CPI apresentado pelos partidos de oposição - PT, PSDB, PC do B e PSB -, mas não conseguiram os 28 votos necessários. O requerimento das bancadas de oposição ao governo permanece na pauta de votação, porque os governistas conseguiram reunir apenas 27 votos contrários - no total, a CPI da oposição obteve 24 favoráveis, 27 contra.
Os vereadores Mílton Leite (PMDB), Osvaldo Sanches (PPB), Maeli Vergniano (sem partido) e o presidente da Câmara, Armando Mellão (sem partido), não votaram. Além de os governistas perderem a segunda batalha na guerra das CPIs, a oposição comemorou o que entenderam como adesão de mais dois votos: Myryam Athie (ex-PPB) e Lídia Correa (PMDB).
Ontem, as oposições contavam com o apoio de 22 vereadores. E agora acreditam que conquistaram as duas parlamentares. "Acho que ficou mais fácil, porque precisamos lutar por quatro votos e não seis", afirmou a líder do PT, Aldaíza Sposati. Sanches, que minutos antes da votação disse que estava "avaliando" como iria votar, também foi considerado uma perda pelo "bloco" governista.
"Você diz sim à preferência e depois, crau", disse Emílio Meneghini (PPB) a Toninho Paiva (PFL). Meneghini referiu-se à determinação do vice-líder do governo, Wadih Mutran (PPB), para que os governistas aprovassem o pedido de preferência de votação da CPI da oposição e depois impedissem a instauração da comissão.
"Eles desaprenderam tudo", afirmou Meneghini, depois da votação. "Eu disse crown (um estilo de natação) e eles nadaram de costas", completou.
Derrota de Pitta - Os vereadores da oposição entenderam que o resultado da votação foi uma derrota de Pitta. "O prefeito Celso Pitta mobilizou toda a sua base parlamentar para derrubar as duas CPIs e não conseguiu", afirmou o vereador José Eduardo Martins Carodozo (PT).
"Ao mobilizar a sua bancada parlamentar para derrubar as duas CPIs, o prefeito Celso Pitta mostrou que não quer a investigação", disparou Roberto Trípoli (PSDB), o vereador indicado pelas oposições para presidir uma eventual CPI.
O líder do PSDB na Câmara, Dalton Silvano, também entende que Pitta sofreu uma derrota política na Câmara. O secretário municipal de Comunicação Social, Antenor Braido, disse que "os vereadores Roberto Trípoli e Dalton Silvano deveriam preocupar-se menos com o prefeito Celso Pitta e, pelo menos, sugerir que o partido aprove as propostas de CPI apresentadas na Assembléia Legislativa".
Até integrantes do "bloco" governista admitiram o Executivo sofreu uma derrota política. "Claro que foi uma derrota, porque o governo já teve 34 votos na Câmara e hoje tem 27", resumiu Bruno Feder (PTB), que integra a base de sustenção de Pitta e votou contra a CPI.
O líder e o vice-líder do governo na Câmara, os pepebistas Brasil Vita e Wadih Mutran, deixaram o plenário sem dar entrevistas. Myryam Athie, que deixou o PPB e vai filiar-se ao PMDB até o fim do mês, também não quis falar com os jornalistas que acompanharam a sessão.
Ontem, ela prometeu que, se o seu requerimento de CPI não fosse aprovado pelos governistas, votaria com a oposição. Myryam é responsável pela indicação da diretoria de Patrimônio da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) e rejeito o segundo pedido de impeachment contra Pitta.
Vereadores governistas, que pediram para não ser identificados
afirmaram ter recebido ordem do Executivo para derrubar os dois requerimentos de CPI. O secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, negou qualquer interferência.
O ex-vice-líder do Governo, José Viviani Ferraz (PL), afirmou que a determinação era rejeitar a CPI da oposição e aprovar a comissão proposta por Myryam Athie. Na prática, isso demonstra a divisão existente na bancada governista.
Pressão - A oposição acredita que a estratégia do "bloco" governista era rejeitar os dois pedidos de CPI para neutralizar a pressão pró-investigação prevista para amanhã em frente à Câmara.
Entidades religiosas, civis e a Força Sindical (FS) prometem fazer uma manifestação para pressionar a Câmara a apurar as denúncias de irregularidades envolvendo parlamentares governistas e órgãos municipais.


