Curitiba - Um grupo de deputados federais e estaduais lançou ontem em Curitiba uma frente parlamentar de apoio aos produtores florestais. A intenção do bloco é ficar de olho em projetos de lei que possam de alguma forma barrar o avanço no plantio de florestas para extração e propor alternativas de crescimento do setor no Congresso Nacional e na Assembléia Legislativa. Fazem parte do bloco os deputados federais Max Rosenmann (PMDB), Cezar Silvestre (PPS), Abelardo Lupion (PFL) e Eduardo Sciarra (PFL) e os deputados estaduais Alexandre Khury (PMDB) e Marcos Isfer (PPS). Todos ligados a blocos agropecuários no Congresso.
De acordo com os dados apresentados pelos empresários do setor durante o lançamento do bloco, no Plenarinho da Assembléia, o Brasil participa com 1% do comércio internacional de florestas. A chamada ''agricultura de árvores'' corresponde a 2,8% do que é produzido no Paraná, o equivalente a 560 mil hectares. ''Temos que nos agilizar e procurar programas para o crescimento da agricultura de árvores. Caso contrário teremos que enfrentar em breve um apagão florestal'', afirmou Roberto Gava, presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre).
Os ambientalistas também foram alvo de críticas. O presidente da Associação Sul-Brasileira de Silvicultura e integrante do Grupo de Estudos da Mata Atlântica, Marcílio Caron, pontuou a preocupação com as restrições ambientais feitas para o crescimento do setor de plantação de florestas para a extração. Entre os projetos que estão tramitando no Congresso e que precisariam ser derrubados, no entendimento de Caron, estão o Projeto de Lei 623, que versa sobre a reserva legal e a preservação permanente, o Projeto de Lei 1.015, que trata da ampliação de 100 para 500 metros de preservação florestal margeando as represas sejam elas lagos, tanques ou rios e o Projeto de Lei 60, que cria subsídios financeiros para os agricultores que respeitarem os limites impostos na lei. ''Temos que procurar contrapropostas'', considerou Caron.
Os ambientalistas não estão vendo com bons olhos a formação da frente parlamentar que acaba de se instalar no Paraná. ''Somos solidários ao setor (de reflorestadoras) desde que haja uma política florestal adequada à nossa realidade, que não é nada boa'', disse o diretor-executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, referindo-se aos 0,8% de remanescentes com florestas de araucária que ainda restam no Estado.
O diretor da SPVS defende que em vez de frente em prol de empresas, os deputados deveriam ter criado uma frente em prol do direito público. ''Podemos conciliar a manutenção e o crescimento da atividade das empresas florestais, mas compatível a um projeto de proteção à natureza. Vamos parar com demagogia: 99,2% de nossas matas foram destruídos. E nós é que somos os radicais''. (Colaborou Lenadro Donatti)

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