Buenos Aires, 13 (AE-IPS) - Autoridades, empresários e economistas do Brasil e Argentina são unânimes em afirmar que um grande ceticismo se abateu sobre o Mercosul. Acham ainda que a crise institucional não foi superada e que uma saída está mais ligada à decisões pessoais que tratados e mecanismos de acordo. As declarações oficiais seguem o caminho da boa vontade política e a vigência dos acordos já estabelecidos. Contudo, o comércio entre os sócios está enfraquecido e põe a solidez do Mercosul em risco.
O bloco subregional, mercado de 200 milhões de consumidores, conseguiu desde sua criação, em 91, aumentar o intercâmbio de bens e serviços para fora e dentro. A recessão, a partir da desvalorização do real em janeiro, levou o bloco a seu momento mais crítico, desde que foi criado.
O economista argentino Guillermo Calvo, que previu a crise mexicana de 95, advertiu que na hipótese de uma nova desvalorização "seria o fim do Mercosul". E acrescenta: Esta combinação de câmbio fixo na Argentina e flutuante no Brasil não nos convém", destacou. A economista Beatriz Nofal faz coro a Calvo: "Desta forma o Mercosul não nos serve". Ela acha que é preciso criar instituições que ajudem a superar distorções, divergências e conflitos.
Dentre as vozes que acham que o problema está dentro do território argentino surgem a do dirigente oposicionista Rodolfo Terragno e do economista Adalberto Rodríguez. Para eles, a Argentina "atuou com uma séria de improvisações lamentáveis". Rodríguez, que pode virar ministro da Economia se a oposicionista Alianza (UCR-Frepaso) ganhar as eleições presidenciais de outubro, disse que o Brasil espera o resultado das urnas para voltar a negociar. "Enquanto isso o Mercosul está em compasso de espera".
O secretário da Indústria da Argentina, Alieto Guadagni, disse hoje que o Mercosul "tem problemas muito sérios", ampliados por falta de leis e instituições que norteiem os caminhos diante de adversidades. "O bloco agoniza", resumiu Guadagni. A desvalorização do real tirou a competitividade argentina que hoje tenta brecar o avanço territorial de têxteis e calçados brasileiros. "Não somos protecionistas, queremos uma competitividade sadia", disse Guadagni.
Seu colega Osvaldo Rial, presidente da União Industrial Argentina, disse essa semana que os industriais "vão querer se suicidar" se o Brasil voltar a desvalorizar sua moeda. Funcionários do governo argentino dizem que a crise institucional do Mercosul começará a ceder quando desapareça dos meios jornalísticos e eles possam voltar a se reunir sem pressões.

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