Bloch Editores entra com pedido de concordata
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Beatriz Coelho Slva 
Rio, 26 (AE) - A Bloch Editores ingressou com pedido de concordata preventiva na Justiça fluminense na última sexta-feira. A informação foi dada hoje pelo advogado Alfredo Bumachar, que protocolou o pedido na 5ª Vara de Falências e Concordatas. A empresa propôs um prazo de dois anos para pagar as dívidas em duas prestações, 40% ao fim de 12 meses e 60% em 24 meses. Segundo Bumachar, as dívidas do grupo são calculadas em R$ 400 milhões. Destes, R$ 250 milhões podem sofrer efeitos da concordata caso a medida seja deferida, por não serem privilegiados, ou seja, não são débitos trabalhistas, nem com a União, Estado ou Município. A TV Manchete e a Bloch Som e Imagem
outras duas empresas do grupo Bloch não fazem parte da ação.
Bumachar explicou que as dívidas que levaram ao pedido de concordata são, em sua maioria com bancos, sendo o Banco do Brasil, o Banco Rural e o Banerj os maiores credores. Este último, foi comprado pelo Itaú. Os três bancos detém 15% dos créditos, para os quais a Bloch Editores não tem ativos a dar como garantia. "O pedido de concordata tem como principal objetivo preservar os 1,5 mil empregos que a empresa oferece e também seu patrimônio", justificou o advogado. "Devido às conjunturas nacional e internacional e à recessão pela qual o país atravessa, esta foi a melhor saída". Segundo Bumachar, a Bloch Editores, cuja principais publicações são as revistas "Manchete" e "Amiga", não poderá mais vender seus bens imóveis (entre outros, os dois prédios da redação e da administração, na praia do Russel, na zona sul da cidade) sem autorização judicial.
Para a venda dos bens móveis, aí incluídos o acervo do Museu Adolpho Bloch, calculado no mercado de arte em R$ 20 milhões, e o equipamento do parque gráfico, não é preciso de autorização judicial. "Mas por recomendação minha, essa venda só acontecerá com ordem do juiz", adiantou. De acordo com o advogado, o juiz da 5ª Vara de Falências e Concordatas, José Carlos Maldonado, vai examinar o pedido, pedir novas informações e decidir se o aceita ou não. Nota - No fim da tarde, o presidente do Grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller, divulgou nota oficial justificando o pedido da concordata. Segundo a nota, os compradores da Rede Manchete, outra empresa do grupo vendida à Rede TV!, de Amilcare Dallewo, não honraram os compromissos envolvendo a dívida da emissora com o Banco Econômico. "Não nos restou outra alternativa senão a impetração de uma concordata preventiva, cujo objetivo é solucionar a situação da empresa e também preservar o seu patrimônio", diz a nota, que garante ainda que as revistas da Bloch Editores continuarão em circulação.
"É com esse patrimônio, com a receita dessas publicações e com as reservas obtidas com a suspensão do pagamento dos débitos dos bancos, que a Bloch Editores pretende quitar seus compromissos assumidos na concordata", disse Bumachar. Segundo ele, o prazo para vencimento da primeira parcela da concordata começou a ser contado a partir de sexta-feira passada, mas o juiz não tem um prazo definido para dar sua decisão.


