Blitze provocam confusão na zona leste
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2000
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 02 (AE) - Sirenes ligadas, semáforos vermelhos ignorados e alta velocidade. A megablitz contra perueiros clandestinos promovida pela São Paulo Transporte (SPTrans) e Guarda Civil Metropolitana, hoje, teve a participação de 220 guardas-civis e 120 fiscais municipais. Trinta e cinco peruas foram apreendidas durante a manhã e mais sete no período da tarde.
Alertados sobre a ronda - o comboio formado por dezenas de carros e camburões era visto a distância -, os perueiros clandestinos se esconderam. As principais vítimas foram os perueiros cadastrados, que eram parados bruscamente pelos guardas.
Um carro era cercado por pelo menos sete camburões. A perua regular de Francisco Silva Alves, por exemplo, teve os documentos apreendidos em Cidades Tiradentes, na zona leste.
Essa foi a região de atuação do comboio pela manhã. Os fiscais também circularam por Sapopemba, Guaianases e Itaquera. Em Guaianases ocorreu um dos momentos de maior tensão. O perueiro Jobi Venturini Barbosa acelerou seu veículo quando viu o bloqueio. Sua perua teve o vidro traseiro estilhaçado por um tiro e ele sofreu agressões de um fiscal.
Edimar Amaral Silveira, de 19 anos, teve o seu Passat apreendido sem entender o motivo. "Eles me deram farol alto e eu pensei que era para acelerar", contou. Foi o bastante para a GCM fechar o cerco a Silveira. Policiais saíram com armas em punho e enquadraram o rapaz. Ele estava sem o documento do carro
mas nada foi encontrado em seu veículo. "Isso é abuso", disse ele.
Algo semelhante ocorreu em Cidades Tiradentes. Os guardas pararam um Monza porque o motorista havia insultado os guardas. "Ele é perueiro; vamos revistar", gritavam os guardas-civis. Revistaram todo o veículo e nada encontraram.
Tarde - À tarde, entre 17 horas e 18h30, a equipe da SPTrans apreendeu sete lotações clandestinas na região de São Miguel, na zona leste. Na Marginal do Tietê, onde foi feita a primeira apreensão, o comboio da fiscalização quase provocou um acidente, ao fechar uma perua irregular.
"É um absurdo o que estão fazendo", criticou a secretária Deise de Luna, 23 anos. "Vão acabar provocando um acidente". Passageira de uma das peruas apreendidas, ela levava um bebê de poucos meses no colo. Moradora de São Miguel, ela alega que depende das lotações. "Ínibus aqui é um caos".
Na Rua Maestro Alfredo Bevilacqua, um policial da GCM agrediu Manoel dos Santos Moraes, de 37 anos, motorista de uma perua. O guarda puxou o motorista pela camisa para fora do carro, mas recuou quando viu a reportagem. (Colaborou Ivana Moreira)


