Blitze da SPTrans continuam sem apoio da PM
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000
Por Valéria Rossi, especial para a AE 
São Paulo, 11 (AE) - Mais uma vez, os 40 fiscais da São Paulo Transporte (SPTrans) e 35 guardas civis metropolitanos saíram às ruas em busca de lotações clandestinos sem o apoio da Polícia Militar, que deveria começar atuar junto das equipes hoje. Segundo o relações-públicas da SPTrans, tenente Jean Carlos Pereira, os policiais selecionados para o serviço foram apresentados hoje à Secretaria de Segurança Pública e ficariam os próximos dois dias em treinamento na SPTrans. A PM deve entrar oficialmente na blitz a partir de segunda-feira.
Depois de suspender a blitz contra os perueiros clandestinos pela manhã, por causa do tumulto causado na entrega do edital, a Prefeitura promoveu uma caçada pacífica aos lotações na zona leste durante a tarde. A operação começou por volta das 13h45 e até às 18 horas pelo menos 18 peruas haviam sido apreendidas. A fiscalização ficou concentrada entre os bairros de Guaianases e Cidade Tiradentes. O número de peruas apreendidas ficou abaixo da expectativa dos fiscais, que esperavam repetir a quantidade de ontem - 89 veículos -, recorde de todos os dias, superando o dia 04, que registrou 64 apreensões de veículos clandestinos. Vaias - Apesar da facilidade, houve perseguição aos lotações e uma pessoa quase foi atropelada. Em alguns bairros, os fiscais foram vaiados pelos moradores durante o trabalho. O encarregado da equipe da SPTrans, Renato Spanhole, atribuiu o baixo rendimento à chuva e à suspensão da blitz pela manhã. Mas os perueiros pegos na operação garantiram que o edital não tirou quase ninguém de operação. Eles estavam revoltados com as exigência feitas no documento e prometem rodar irregularmente.
Esse é o caso do motorista de lotação Valdomiro Rocha Dias. Foi a quarta vez que ele teve seu veículo apreendido. "Já nem me preocupo mais porque sempre pago propina para os fiscais; é só dar R$ 100,00 e tirar o carro da garagem". Ele disse que o esquema de propina é pago a fiscais da SPTrans dentro da garagem. A assessoria de Imprensa da SPTrans informou que pretende apurar o caso.
Perseguição - Apesar da chuva, a fiscalização também esteve em Itaquera e Sapopemba, onde houve perseguição a vários carros. Em Itaquera, seis peruas saíram em disparada quando perceberam a blitz. Apenas uma foi apreendida. Mesmo assim, o motorista Rogério Expedido, de 24 anos, negou que estivesse tentando escapar. Nas proximidades da Vila Guilherme, os fiscais detiveram o perueiro Edvaldo da Silva - que ao tentar fugir pela Maginal do Tietê (sentido via Dutra) bateu contra um fusca. Ele transportava 12 passageiros. Ninguém ficou ferido. Revolta - Debaixo de chuva, passageiros desciam chorando e nervosos dos carros parados pela fiscalização. "Isso tem de parar; não aguento mais esse desrespeito", disse chorando uma passageira que se identificou apenas como Sueli. Ela ainda criticou as condições dos ônibus e disse ser esse um dos motivos pelos quais prefere os lotações. Até o começo da noite, os fiscais continuavam nas ruas. O balanço oficial da operação dever ser divulgado na segunda-feira.


