Curitiba - O Ministério Público (MP) do Paraná entrou mesmo na briga para retirar os caça-níqueis de circulação. Ontem, na segunda operação realizada em Curitiba, policiais do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco) lacraram 29 máquinas em 13 lanchonetes e casas lotéricas e autuaram 11 proprietários dos estabelecimentos. Na semana passada, foram 50 máquinas. As blitze de apreensão aconteceram em várias outras cidades do Interior do Estado. Até o final da tarde de ontem, o MP não tinha feito balanço do total de caça-níqueis retidos, mas estimava uma média de 15 máquinas por comarca.
A informação de que em Londrina não existem equipamentos irregulares, mas apenas máquinas regulamentadas pelo Serviço de Loteria do Paraná (Serlopar), fez o MP desistir da operação na cidade.
O promotor Luiz Fernando Delazari, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), lembrou que a apreensão de caça-níqueis é uma das frentes de atuação do Grupo Nacional de Combate às Associações Criminosas, que reúne representantes do Ministério Público de todo o Brasil. A instituição, segundo ele, foi criada depois do homicídio do promotor de Justiça de Belo Horizonte (MG), Francisco do Rego Santos, em 25 de janeiro deste ano, por um proprietário de posto de combustível, enquanto investigava casos de adulteração. O grupo está atuando, ainda, no combate à adulteração de combustíveis e ao crime organizado no sistema penitenciário.
Delazari disse que não foi registrada nenhuma situação em que os donos dos locais onde estavam os caça-níqueis tinham liminar autorizando o funcionamento. O promotor, inclusive, questiona a liberação. ''Liminar não tem o poder de evitar a flagrância da prática criminal'', afirmou. ''Acredito que o Poder Judiciário assim como o MP está imbuído no combate a essa prática odiosa'', completou.
O MP, afirmou Delazari, aconselha os donos de pontos comerciais que tenham caça-níqueis tomem a iniciativa de devolver os equipamentos. Do contrário, serão autuados e responderão a processo criminal.
O promotor criticou a atuação da Polícia Civil nas operações anteriores de apreensão de caça-níqueis. ''O combate não é efetivo e não tem mostrado resultado, tanto que as máquinas continuam nas ruas'', declarou.
O delegado da Ordem Social, de Curitiba, Fauze Salmen, rebateu a crítica, afirmando que não houve falha da polícia civil. ''As operações continuam, mas estamos fazendo o trabalho sorrateiramente'', disse. Segundo ele, ontem foi realizada uma operação ''relâmpago'', com a apreensão de 35 equipamentos.

mockup