São Paulo, 29 (AE) - Uma blitz realizada no prédio da Secretaria Municipal da Saúde na manhã de hoje marcou o início das investigações sobre supostos esquemas de corrupção no Plano de Atendimento à Saúde (PAS).
O sistema, que funciona desde 1996, se tornou o principal alvo da Corregedoria do Serviço Público - criada este mês pelo prefeito Celso Pitta com a pretensão de "sanear" a cidade. A Polícia Civil também começou hoje a apurar as denúncias de desvio de verbas e contas superfaturadas nos 15 módulos do PAS.
O vice-prefeito Régis de Oliveira, escolhido por Pitta para presidir a corregedoria, esteve no gabinete do secretário da Saúde, Jorge Roberto Pagura, e solicitou as últimas prestações de contas dos módulos 1, 3 e 8 do PAS. "O que nos motivou foi a série de denúncias que recebemos em tão curto espaço de tempo."
Chegaram às mãos do vice-prefeito 17 relatos de corrupção no plano. A relação das verbas empenhadas no sistema seriam entregues hoje à tarde pela secretaria e devem ser avaliadas nos próximos dias pelos juízes e promotores que compõem a corregedoria.
Auditoria - O delegado Itagiba Franco começou hoje os trabalhos de investigação do PAS. Ele vai solicitar uma auditoria e deve ouvir, na primeira fase, os responsáveis pelo registro dos documentos.
As pessoas serão ouvidas nas dependências do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), na Cidade Universitária, órgão utilizado desde o início das apurações sobre a máfia dos fiscais.
Funerária - Franco vai coordenar uma equipe composta por dois delegados e vários investigadores. O delegado explicou que, além do inquérito do PAS, vai instaurar, ainda esta semana, um outro para apurar a possível corrupção no Serviço Funerário Municipal. Os documentos que apontariam para um esquema de corrupção e foram apreendidos no cemitério de Perus estão sendo examinados por Franco e outros policiais. "A papelada é farta e mostra a cobrança de valores diferentes, uma movimentação grande de dinheiro", afirma o delegado.
A equipe de Franco está encarregada das investigações nas Secretarias da Saúde, Educação, Cultura e na Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam). "Instaurei cinco inquéritos na semana passada e vamos preparar um esquema para as intimações e os depoimentos."
Segundo o delegado, dezenas de denúncias de corrupção nos diversos setores da Prefeitura continuam chegando à polícia e ao Ministério Público. "O volume é grande e o delegado-geral nos deu condições para realizar o trabalho em todas as pontas." Franco vai afastar-se por algum tempo da direção da Divisão de Proteção Comunitária (Diprocom), que assumiu recentemente.

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