Curitiba - Uma blitz na Central de Abastecimento (Ceasa), em Curitiba, flagrou 215 crianças e adolescentes trabalhando em condições insalubres durante a madrugada de ontem. São menores de 16 anos que estavam carregando caixas pesadas ou mesmo acompanhando os pais na jornada de trabalho, o que é proibido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A operação conjunta entre a Polícia Militar, Polícia Federal, Conselho Tutelar, Secretaria Municipal da Criança, Delegacia Regional do Trabalho e Ministério Público do Trabalho, foi realizada para coibir a exploração do trabalho infantil. A iniciativa surgiu de denúncias ao Ministério Público.
A procuradora Margaret Matos de Carvalho, que acompanhou a operação, disse que a Ceasa será multada pela Delegacia Regional de Trabalho. ‘‘Tomamos como base um termo de compromisso assinado pela Ceasa em 2000, onde a central se compromete a evitar esse tipo de exploração’’, observou. De acordo com a procuradora, a multa vai levar em consideração a situação de cada família notificada e deverá ser divulgada na próxima semana.
O diretor da Ceasa, José Lupion Neto, questiona a aplicação da multa e diz que devem ser notificados quem cometeu o delito, nesse caso, as famílias das crianças. Ele ressalta que existe um regulamento a ser seguido por todos os usuários do espaço, mas que as condições operacionais da central não permitem que essa fiscalização seja efetuada sistematicamente.
Cerca de 15 a 20 mil pessoas circulam por dia na Ceasa, num terreno de 500 mil metros quadrados e pelo menos 8 mil veículos passam pelo local diariamente. ‘‘Eu não posso parar todos os veículos que entram na central e verificar porque as crianças estão no carro’’, disse. Por isso, ele vai propor ao Conselho Tutelar que instale uma central de atendimento na Ceasa, para que as irregularidades possam ter encaminhamento imediato.
A diretora do departamento de Integração Social da Criança e do Adolescente, da Secretaria Municipal da Criança, Francine Wosniak, informou que as famílias dos menores encontrados ontem no Ceasa foram notificadas. As crianças e adolescentes foram encaminhadas ao Conselho Tutelar do Pinheirinho e cadastradas em programas de orientação educacional e profissionalizante, desenvolvidos pela secretaria. ‘‘O problema é que a maioria dessas crianças está sem estudar’’, disse a diretora.
Ela afirmou ainda que os órgãos competentes estão investigando a existência de exploração sexual e tráfico de drogas na central, que foram denunciadas ao Ministério Público. ‘‘Nessa blitz não encontramos nenhum caso nessa situação, mas conversas informais com os comerciantes demonstraram que elas existem’’, disse. Ontem à noite, o diretor da Ceasa e representantes das cerca de 100 pessoas que realizaram a blitz se reuniram para definir as medidas a serem tomadas.

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