Blitz flagra crianças em trabalhos de alto risco
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de abril de 2002
José Maria Tomazela Agência Estado 
Itaberá - Uma blitz de fiscais do Ministério do Trabalho durante o fim de semana flagrou 13 crianças com idade entre 8 e 14 anos sendo exploradas em trabalhos pesados e de alto risco em plantações de tomate e feijão, no município de Itaberá, no sudoeste de São Paulo. Os fiscais encontraram 22 famílias morando em barracos de papelito nas lavouras de tomate do arrendatário Levino Garcês, de 57 anos.
Adolescentes e menores de 14 anos trabalhavam na aplicação de agrotóxicos descalços e sem equipamentos de proteção obrigatórios, como luvas e máscaras. As embalagens dos venenos e produtos químicos eram amontoadas perto dos barracos, onde estavam as crianças. Não havia água potável e os adultos faziam serviços em troca do vale-alimentação, o que é considerado trabalho escravo.
Prisão - O delegado regional do Trabalho em Bauru, Sérgio Branco, encaminhou ontem ao Ministério Público Federal pedido de prisão de Garcês por explorar trabalhadores e por expor a saúde dos empregados. Ele já é reincidente, disse.
Garcês não foi encontrado ontem para falar da blitz. Segundo Branco, os barracos de papelito papel utilizado em embalagens de longa vida não oferecem condições mínimas de moradia a seus ocupantes. A fiscalização encontrou também 13 crianças, algumas com apenas 8 anos, sendo transportadas com adultos, em ônibus e caminhões, para a colheita do feijão. Os menores foram devolvidos a seus pais.
Os responsáveis pelo transporte da mão-de-obra, foram advertidos. Se houver reincidência ficarão sujeitos à prisão. O delegado lembrou que o combate à exploração do trabalho infantil e ao regime de trabalho escravo na região, uma das mais pobres do Estado, vêm sendo feito há três anos, em parceria com o Governo do Estado e prefeituras. Além das audiências públicas bimensais, são realizadas operações de fiscalização a cada 15 dias.Em razão dessas blitzes, os infratores passaram a agir durante os fins de semana, disse.
O diretor da Federação dos Empregados Rurais do Estado de São Paulo, José Vicente Felizardo da Silva, disse que os proprietários das terras também devem ser punidos. Eles arrendam para pequenos produtores e fecham os olhos para as irregularidades.


