Curitiba - Numa operação conjunta do Ministério Público, polícias Civil e Militar e oficiais de Justiça foram apreendidos ontem pela manhã 22 máquinas de caça-níqueis, maquinários de sorteio de bolas de bingo chamadas de pipoqueiras , livros contábeis e computadores do Kennedy Center Bingo, em Curitiba. A apreensão foi feita em cumprimento a um mandado de busca e apreensão emitido pelo Juizado Especial Criminal, em reação à decisão do estabelecimento que, no sábado, voltou a funcionar depois da polícia ter lacrado suas portas.
Os responsáveis pelo bingo serão processados com base no artigo 336 do Código Penal, que trata da ''inutilização de edital ou de sinal''. A pena prevista é de um mês a um ano de detenção ou multa. No local, a polícia encontrou 22 máquinas caça-níqueis. Destas, oito foram retiradas e levadas ao Depósito Judiciário. As outras 14 foram lacradas. Os documentos apreendidos foram encaminhados à Central de Inquéritos.
No sábado, nove empresas de bingos foram lacradas pela polícia, com ''termos de lacração'' fixados em suas portas. A Kennedy foi a única que não cumpriu a determinação. Assim que os policiais saíram, os responsáveis pela empresa teriam rasgado o lacre e voltaram a abrir. Segundo o delegado do 8º Distrito Policial Hertel Rehbein, ao retornar à noite os policiais constataram que o bingo estava funcionando e contava com cerca de mil pessoas jogando. A cena foi registrada também por algumas redes de televisão. No domingo o bingo ficou fechado.
A ação da polícia, ontem, foi tumultuada. O advogado Eldes Rodrigues, representante da empresa, questionou a abrangência do mandado de busca e apreensão. De acordo com ele, no local funcionariam duas empresas distintas, Elizanete Cia. Ltda., responsável pela administração do bingo e Fabíola, gerenciadora das máquinas. A empresa pretende recorrer à Justiça. Segundo o delegado, o mandado não citava nome de empresas, mas apenas o endereço onde seria cumprido.
''Essa é uma ação brusca e desnecessária'', contestou Nilton Cezar Servo II, filho e procurador de uma das proprietárias do bingo, Elizanete Wilhelm de Castro. O outro sócio é Fanor Marinho de Castro. Servo II alegou que o decreto do governador Roberto Requião (PMDB) não proibiu os bingos, mas apenas revogou a regulamentação existente para o setor. O delegado, no entanto, foi taxativo: ''Desde 9 de abril o jogo no Paraná está proibido, é uma contravenção penal e quem estiver promovendo ou jogando pode ser preso'', disse.
Durante a ação policial, a ex-funcionária do H.G.I. Bingo Ltda. conhecido como Bingo Araucária Felisbela Marques Muniz compareceu ao local para cobrar o pagamento da rescisão de seu contrato de trabalho. Ela trabalhava como zeladora no Araucária desde maio do ano passado e foi dispensada no dia 7 de abril, junto com outros sete funcionários. ''Eu não recebi nada, e quando tento ligar para eles, nunca me atendem'', reclamou. O Araucária é do mesmo grupo responsável pelo Kennedy Center Bingo. Nilton Cezar Servo II é um dos proprietários junto com outros dois sócios identificados apenas como Miguel e Eduardo Fleme.

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