Blitz apreende 46 lotações clandestinas em SP
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Valéria Rossi 
São Paulo, 10 (AE) - O último dia de blitz isolada da prefeitura de São Paulo contra os perueiros clandestinos foi marcado por um esforço "extra" dos fiscais e guardas metropolitanos - eles bateram o recorde apreendendo 46 peruas hoje pela manhã na região de Santo Amaro, zona sul da cidade. O número é maior do que o dobro da média registrada nos outros dias desta semana - 20 no mesmo período.
Amanhã (11) , a fiscalização será acompanhada por 50 policiais do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) da Polícia Militar - por um acordo fechado entre o governo estadual e a Prefeitura. Na blitz de hoje alguns fiscais, agora da SPTrans, voltaram a perder o controle. Na pressa para superar o número de apreensões, eles tentavam tirar à força os perueiros que resistiam e ficavam nos carros. Houve tumulto, acidente e denúncia de que um fiscal teria furtado R$ 30,00 do cobrador José Augusto Pereira de Souza, 20 anos.
"Eles enfiaram a mão na pochete e levaram o dinheiro que havia recebido dos passageiros pela manhã", afirma o cobrador, acusando dois fiscais da SPTrans.Ele denunciou o caso à Guarda Civil Metropolitana (GCM) - que acompanhava o trabalho e não conseguiu localizar os suspeitos. A Assessoria de Imprensa da SPTrans informou que vai investigar o caso.
Essa foi a primeira vez que a fiscalização esteve em Santo Amaro, depois do acidente com uma perua na sexta-feira. No acidente, quatro pessoas morreram e sete ficaram feridas.
Acidente - Hoje por pouco o episódio não se repete. Para fugir da blitz, o perueiro Erivaldo Luiz, manobrou seu carro, uma Besta, na contramão, na Avenida Vitor Manzine e bateu contra um poste. Ele estava com dez passageiros. Ninguém saiu ferido. O motorista negou que estivesse fugindo. Do outro lado da rua, outro perueiro, que não se quis identificar, teve o carro apreendido quando tentava escapar. O perueiro Rodrigo André Andrade Teixeira, 20 anos, também quase bateu sua Sprinter, com 12 passageiros.
"Ele ia tentar fugir, quando foi cercado pelos fiscais (na Avenida Mário Lopes Leão); ele teve que frear às pressas", disse o cobrador do carro, Felipe Correia Bezerra, de 12 anos, ainda muito assustado. Os passageiros do veículo saíram correndo. Segundo a SPTrans, ninguém se machucou.
Muitos motoristas e cobradores tentaram resistir à ação dos fiscais. Eles atribuíram essa "caçada acirrada" dos fiscais à determinação do governo em manter o policiamento militar nas ruas. "É um absurdo; esses fiscais querem mostrar serviço" disse o perueiro Glauber Gomes de Oliveira. Ele desviou da fiscalização entrando em um posto de gasolina na Avenida Washington Luís, no bairro do Socorro. Oliveira disse que foi agredido pelos fiscais.
A proprietária do carro, Aurineide Ribeiro de Souza, foi agarrada nos braços por dois fiscais. Apesar da pressão, ela não entregou as chaves do seu carro. "Se tiver que levar meu carro, vai ter que me levar junto." O motorista de lotação Antônio Reis de Oliveira Brandão não teve a mesma força e foi retirado de sua perua praticamente desmaiado. "Meu pai está passando mal; socorram meu pai", gritava a filha do perueiro, Fabiana Silva Brandão, de 12 anos, que trabalha com o pai como cobradora.
Correria - O encarregado de uma das equipes da SPTrans, Edival Duarte, disse que a "correria" de hoje foi em função do número de peruas clandestinas na região. Ele calcula que na área existam cerca de 10 mil lotações irregulares. O encarregado negou as agressões contra os perueiros.
O tenente e relações públicas do CPTran, Jean Carlos Pereira, informou que os PMs não participaram da operação de hoje por causa da seleção de pessoal que está sendo feito. Hoje a blitz reuniu 39 guardas metropolitanos e 112 fiscais, divididos em duas equipes. À tarde, eles voltaram às ruas, mas o balanço das apreensões só será divulgado amanhã.


