Blecaute provoca confusão e correria em SP
São Paulo, 11 (AE) - Pontos de ônibus lotados, filas nos orelhões, trânsito caótico por causa dos semáforos apagados. O blecaute provocou correria e confusão em vários pontos da cidade. O Metrô retirou os passageiros de dentro dos trens e suspendeu a operação. Uma das maiores preocupações foi a segurança. As Polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros, o Comando de Policiamento de Trânsito e a Companhia de Engenharia de Tráfego acionaram esquemas de emergência, colocando todo o efetivo possível de plantão.
No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, Cumbica
pousos e decolagens ocorreram normalmente graças a geradores. Um avião que estava em procedimento de pouso precisou arremeter no momento em que houve a queda de energia, por medida de segurança. Em Congonhas, foi acionada a iluminação de emergência e o último vôo da Ponte Aérea, às 22h15, não saiu.
A Polícia Militar pôs em prática hoje, meia hora depois do blecaute, um esquema especial de policiamento os pontos considerados críticos, onde ocorre o maior número de roubos e orientando os policiais a ajudar os homens da companhia de trânsito. O major Antonio Carlos Biagione, do Serviço de Comunicação Social da PM disse que o esquema especial atingiu não só a capital e Grande São Paulo, como também o interior.
Na troca de turno, os policiais que chegavam aos batalhões e às companhias com os carros em ronda foram orientados a retornar para os pontos de policiamento e os homens que chegaram para o novo turno também foram deslocados com outros veículos para reforçar a segurança.
Os oficiais do Centro de Operações da Policia Militar orientaram os policiais dos carros em ronda para que observassem os estabelecimentos comerciais nas ruas e avenidas e muitos dos carros passaram a fazer o policiamento com suas sirenes ligadas. Nas proximidades das estações do metrô também receberam reforço por causa da grande concentração de pessoas.
Muita gente exaltada não entendia que o blecaute que atingia os trens e apenas a segurança do Metropolitano não era suficiente para informar as centenas de pessoas. Por volta das 23 horas, policiais foram chamados para a avenida Liberdade e também para a rua Augusta onde um grupo de homens estava forçando as portas de algumas lojas. Nos dois locais os policiais dispersaram rapidamente as pessoas, quatro rapazes foram detidos, dois na Liberdade, levados para o 5º distrito e outros dois na rua Augusta, levados para 4º Distrito.
Os carros do Corpo de Bombeiros também foram acionados para a região central da cidade colaborando no esquema de prevenção. A maioria das chamadas dos bombeiros são para retirar pessoas presas nos elevadores. Durante uma hora, desde o começo do blecaute, o Centro de Operações da Polícia Militar recebeu mais de cinco mil chamados com as pessoas pedindo informações sobre o blecaute.
Em alguns bairros como os das zonas leste e sul a Polícia Civil também reforçou o esquema de policiamento de rua para a prevenção. Segundo o diretor-geral da Polícia Civil, Marco Antonio Desgualdo, nos distritos policiais houve reforço por causa da superlotação das celas, pois havia informações de que resgates poderiam acontecer.
Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o sistema de bombeamento de água parou e precisaria de três a quatro horas pra retomar operação. O assessor de imprensa da Sabesp, Márcio Riscala, pede à população para que economize água, porque a falta de energia elétrica causou a paralisação de todos os sistemas produtores de àgua da região metropolitana. Segundo Riscala, os sete grandes sistemas produtores de água de água, que funcionam a partir de bombeamento, que estão parados.
O plano foi acionado no sentido de fazer que o sistema volte a funcionar o mais rápido possível assim que a energia elétrica for restabelecida. Mesmo assim, a Sabesp vai precisar de pelo menos de 3 a 4 horas para recolocar o sistema em funcionamento e fazer que a produção de água volte ao normal na região metropolitana de São Paulo.
Segundo o assessor de imprensa da Light, Alexandre Coimbra, disse que não há informação concreta a respeito desse blecaute. A Light entrou em contato com Furnas Centrais Elétricas, mas, segundo ele, Furnas não sabe o que ocorreu.
Conforme ele, ainda, é um problema muito abrangente, até mais do que os técnicos esperavam. As estações do Metrô foram fechadas para evitar tumulto. Se acabar a energia do gerador os técnicos irão desativar todas as estações e colocar todas as pessoas para fora.
O número de ligações registradas pelo Centro de Operações do Comando da Polícia Militar (Copom) de São Paulo recebeu mais de 100% de ligações além da média, durante os primeiros 30 minutos em que a cidade ficou sem energia. Foram registradas 1.333 chamadas entre 22h20 e 23h10, de acordo com o capitão João Carlos Pelissari, chefe de Operações do Copom.
A maior parte das pessoas pedia informações sobre o blecaute. O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Nelson Maluf El Hage, informou que todos os túneis da cidade de SP foram fechados por medida de segurança, para evitar assaltos dentro dos túneis.
Os semáforos pararam de funcionar em praticamente toda a cidade e o trânsito ficou confuso, principalmente em cruzamentos entre Avenidas Paulista e Brigadeiro Luiz Antônio, Rebouças e Brasil, Cidade Jardim e Faria Lima.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) perdeu o contato com a maior parte dos operadores durante o blecaute. Como a interrupção ocorreu dutante troca de turno entre os operadores, muitos permaneceram em serviço. Em alguns locais a energia retornou rapidamente, por volta das 23 horas, mas foi interrompida novamente, minutos depois.
A recepcionista Maria de Lourdes Palma, de 42 anos, carregando o filho Marcel, de 4 anos, desembarcou no Terminal da Barra Funda, vinda de Americana, e encontrou a cidade às escuras. Ela teve de ir para casa, na Avenida Angélica, a pé. Fez o trajeto acompanhada de outras pessoas que temiam ser assaltadas na escuridão. Ela teve de andar cerca de 40 minutos a pé. "Nunca vi a cidade desse jeito."





