Blecaute pode ter sido causado por negligência
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sexta-feira, 31 de outubro de 2003
Das agências 
São Paulo - O acidente na ponte Colombo Salles, que deixou a ilha de Santa Catarina sem energia elétrica por quase 53 horas, pode ter sido causado por uma negligência da empresa de distribuição do Estado, a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). O acidente aconteceu quando uma equipe da Celesc fazia uma operação de manutenção dentro de uma câmara fechada sob a ponte por onde passam os cabos de transmissão.
A equipe da Celesc usava um maçarico a gás para aquecer algumas peças. Durante a interrupção dos trabalhos, o botijão vazou, enchendo a câmara de gás. Quando a chama do maçarico foi reacendida, o combustível pegou fogo e os funcionários fugiram do local dois deles saltaram por um vão da ponte e caíram no mar.
O cabo de transmissão é isolado por uma camada de óleo uma tecnologia antiga muito usada em instalações feitas há mais de 20 anos, atualmente ela não é mais empregada. A blindagem de chumbo do cabo rompeu com o fogo e o óleo de isolamento queimou por quase 24 horas até ser definitivamente controlado. Os estragos provocados pela alta temperatura podem ter condenado a ponte perícias ainda vão avaliar o grau de avaria.
''Usar maçaricos alimentados por GLP em um ambiente fechado é assumir um risco indevido. Há outros tipos de equipamentos que poderiam ser usados, seja para soldagem ou para aquecer partes da estrutura'', disse o diretor da Federação Nacional dos Engenheiros, Carlos Augusto Ramos Kirchner. ''A situação se agrava quando o cabo é do tipo isolado por óleo'', completou.
A Celesc disse que a operação com GLP é padrão. ''Esse é o normal nas nossas operações. Sempre que se trabalha com transmissão de energia elétrica, assumem-se muitos riscos'', disse um engenheiro da Celesc que preferiu não se identificar.
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a própria Celesc devem começar nos próximos dias uma investigação para descobrir as causas do acidente. ''Depois dos laudos vamos analisar se pode ter havido algum tipo de negligência'', disse o engenheiro Gilberto dos Passos Aguiar, chefe do gabinete da presidência da Celesc.
O prejuízo do comércio de Florianópolis com o blecaute que atingiu a cidade nos últimos três dias foi estimado em R$ 30 milhões. O valor foi divulgado ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e teve como base a média de arrecadação diária de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pelo comércio da capital. Depois de 46 horas sem luz, algumas lojas reabriram ontem, mas o movimento foi baixo.
Para o presidente da CDL, Afonso dos Santos, é preciso contabilizar também os eventuais prejuízos à imagem turística de Florianópolis. ''Estamos com 98% de ocupação nos hotéis. As pessoas entendem que foi um acidente, mas levaram uma visão negativa da cidade'', disse Santos.


