Londres, 07 (AE-AP) - Tentando acalmar a opinião pública britânica, o primeiro-ministro Tony Blair prometeu hoje (07) aplicar pelo menos US$ 1,5 bilhão num sistema de segurança para as ferrovias do país - privatizadas há dois anos.
A imprensa britânica responsabilizou o governo e as empresas pelo choque de trens de terça-feira em Paddington, que pode ter deixado quase cem mortos.
A polícia resgatou 33 corpos que não puderam ser identificados. Os parentes de 70 passageiros procuraram as autoridades para dizer que eles não apareceram em casa após o acidente. A polícia reiterou hoje suspeita de que podem estar mortos. "Há uma outra lista de 127 passageiros que não deram sinal de vida", disse o comissário da Scotland Yard, Andy Trotter. "Se estão vivos, precisam entrar em contato logo com a gente."
Ele disse que as autoridades policiais reservaram quartos em três hotéis de Londres, Swindon e Cheltenham para abrigar parentes das vítimas convocados para identificar corpos. "Pusemos também à disposição dessas pessoas médicos e psicólogos", acrescentou. Ele disse que os corpos estão "terrivelmente" mutilados ou carbonizados. "Sem a ajuda de parentes, não vai ser possível identificar nada."
A maior parte dos corpos, ainda não resgatados, está no vagão H - o primeiro do trem da Great Western. "Havia, seguramente, mais de 50 pessoas a bordo do H", contou um sobrevivente, Chris Goodall. "Só cinco se salvaram daquele inferno e eu tive a sorte de ser uma delas."
Goodall contou que ouviu um grande estrondo. "As luzes apagaram-se bruscamente e o vagão foi envolvido por uma coluna de fumaça, provavelmente do motor da locomotiva que se incendiou." Ele disse que pulou imediatamente para fora. "Vi o maquinista gravemente ferido e tentei tirá-lo da cabine."
Segundo o comissário da Scotland Yard, a temperatura no interior do vagão H chegou a mil graus. "É uma temperatura muito superior aos dos crematórios", explicou. "Tudo ali virou cinzas, o que torna praticamente impossível uma identificação."
Uma grande grua está sendo montada no local para remover vagões calcinados, que estão um em cima do outro. "O equilíbio deles é precário, o que torna extremanete perigosa a tarefa das equipes de resgate." O trabalho de remoção (que deverá ter início amanhã ou depois) é visto com preocupação pelos investigadores, chefiados por um juiz escocês, lorde Cullen. Eles acham que vestígios importantes do acidente podem ser "apagados" nesse processo.
No momento do impacto, os trens desenvolviam cerca de 100 km/h. O da Western levava 500 passageiros, enquanto no expresso da Thames Trains (que teria ultrapassado sinal vermelho) viajavam cerca de 150 pessoas.
O ministro dos Transportes, John Prescott, disse que o Estado vai financiar a criação de um sistema de segurança. O governo trabalhista é responsabilizado em parte, porque, em agosto, rejeitou a adoção do sistema de freios ATP (proteção automática de trens), utilizado em vários países europeus, por considerá-lo muito caro . "Dinheiro não é problema", reconsiderou hoje Prescott.

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