Londres, 05 (AE-ANSA) - Assessores do primeiro-ministro Tony Blair fizeram um primeiro balanço de como os meios de comunicação do Reino Unido cobriram até agora a guerra contra a Iugoslávia, e deixaram transparecer irritação com o trabalho da estatal BBC.
A televisão estatal britânica não adere a nenhuma razão de estado e mais uma vez defendeu sua lendária objetividade e imparcialidade, buscando desmentir o velho ditado segundo o qual a verdade é sempre a primeira vítima da guerra.
Diferentemente dos diários, que incitam ataques cada vez mais duros contra a Iugoslávia, a BBC seguiu mostrando os trágicos acontecimentos nos Bálcãs de vários pontos de vista, não apenas o da Otan, dando inclusive a palavra aos sérvios.
No domingo, o canal de notícias BBC 24 transmitiu um filme de dois minutos que conta a angústia dos moradores de Belgrado diante dos bombardeios da Otan.
As imagens em preto e branco mostraram idosos, mulheres e crianças correndo para abrigos enquanto tocavam as sirenes e um obsessivo clima de comoção domina o filme, intitulado "Uma mensagem de Belgrado".
O filme termina com a legenda "Estamos vivos" sobre um fundo preto, e a BBC o colocou no ar apesar de poder ser catalogado como uma peça de propaganda sérvia.
A BBC havia divulgado no sábado, pela primeira vez no mundo, um vídeo que documentaria o massacre de albaneses no interior de Kosovo.
Assim, a BBC não perde a oportunidade de sublinhar sua independência do poder político em nome do serviço público que deve caracterizar uma estação do Estado.
Um exemplo desta linha são as entrevistas do enviado da BBC a Belgrado, John Simpson, que não acredita na eficácia da campanha aérea da Otan e que sublinha continuamente que Milosevic, satanizado pela aliança ocidental, tem os sérvios a seu lado.
O programa matutino Today, do quarto canal radiofônico da BBC, teve uma polêmica particular com ministros do governo Blair. Seus jornalistas, em especial John Humphrys, questionaram duramente o ministro da Defesa, George Robertson, e o chanceler Robin Cook em entrevistas.
Eles insistiram que fossem apresentadas provas das atrocidades atribuídas à Sérvia, perguntaram se devia-se verdadeiramente classificar de "genocídio" o que está ocorrendo em Kosovo e questionaram se não teriam sido os ataques da Otan que agravaram o drama dos refugiados.
Para o governo Blair os primeiros dias da guerra foram particularmente difíceis. Mas as notícias e imagens do êxodo de Kosovo contribuíram para criar um consenso popular a favor dos bombardeios da Otan.

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