Blair diz que racismo tem de acabar após reportagem prejudicar polícia
Londres, 24 (AE-REUTERS) - O governo trabalhista britânico pediu por uma luta nacional contra o racismo nesta quarta-feira (24) após uma reportagem sobre uma investigação mal feita de um caso de homicídio atingir a polícia londrina como institucionalmente racista.
"Nós devemos combater honestamente como uma nação na qual o racismo ainda existe em nossa sociedade e encontrarmos dentro de nós mesmos uma nação que superará isto", disse o primeiro-ministro britânico Tony Blair ao parlamento.
"Isto é para toda a sociedade britânica", afirmou Blair, prometendo implementar as recomendações da reportagem sobre o assassinato de Stephen Lawrence, um jovem negro assassinado a facadas por um grupo de cinco jovens brancos em uma rua de Londres em 1993.
Os rapazes suspeitos de ter esfaqueado Lawrence quando estava num ponto de ônibus com um amigo, também negro, estão soltos.
O ministro do Interior, Jack Straw, anunciou que as leis que consideram a discriminação racial um delito serão aprimoradas. Ele ordenou a abertura de um inquérito sobre os crimes não resolvidos de Londres e a criação de normas disciplinares mais rígidas para os policiais.
Os juízes de apelação poderão, pela primeira vez no país, permitir que suspeitos sejam julgados duas vezes pelo mesmo crime, se existir nova prova. Três dos suspeitos pela morte de Lawrence não podem ser julgados de novo porque foram absolvidos por falta de provas. As acusações contra os outros foram desconsideradas pela Justiça.
A morte provocou um amplo debate nacional. "Existe só uma razão para tal crime: Stephen era negro", disse Straw no Parlamento, observado pelos pais do jovem.
"Sinto vergonha pela incompetência da primeira investigação"
disse o chefe da polícia londrina, Paul Condon. "Nós falhamos", admitiu, resistindo, porém, à pressão para renunciar.
O relatório revela que um inquérito policial interno sobre a investigação era "falso e indefensável" e assinala que a força policial metropolitana de Londres é marcada pelo racismo. O chefe da polícia londrina, Paul Condon, está resistindo à pressão para que renuncie. Straw disse ter pedido que ele fique no cargo até aposentar-se, no fim do ano.
O ministro está sendo criticado por ter tentado impedir judicialmente a publicação do relatório por jornais britânicos, que obtiveram uma cópia do texto e o divulgaram no fim de semana.





