Londres, 23 (AE-AP) - O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, adiou para o final deste mês a realização de negociações decisivas, as quais considerou "a última oportunidade" para afastar o risco de a Irlanda do Norte ser tomada mais uma vez pela guerra civil.
"Temos uma última oportunidade para lutarmos a favor da paz. Se o acordo de Sexta-feira Santa fracassar, isso significará o retorno da violência", admitiu Blair.
Também o líder independentista Gerry Adams, presidente do Sinn Fein (braço político do IRA - Exército de Republicano Irlandês), afirmou que "há o perigo real de que a situação possa escapar do cntrole".
Apesar do histórico acordo assinado na Sexta-feira Santa de abril de 1998, a Irlanda do Norte ainda não alcançou a paz. Pelo contrário, os atentados continuam, principalmente contra a população católica que se estabeleceu em bairros protestantes.
Para alguns analistas, entretanto, o problema mais importante a ser resolvido é o desarme dos guerrilheiros católicos do IRA.
Segundo o acordo assinado no ano passado, o desarme dos grupos paramilitares estava previsto para depois da formação de um governo provincial aberto a todas as forças católicas e protestantes.
Mas o líder protestante moderado David Trimble, primeiro-ministro do Ulster (Irlanda do Norte), até agora tem sido intransigente em rechaçar esse ponto do acordo e, ao contrário, reclama o desaramamento imediato do IRA.
Hoje, Blair adiou para a semana que vem a última rodada de negociações, cujo início estava previsto para amanhã em Belfast. A desculpa oficial dada foi o funeral do cardeal Basil Humel, primaz da Igreja Cat´´olica, que será realizado amanhã.

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