INDAIATUBA - A 35ª Assembléia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reúne 290 bispos do País no mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, aprovou ontem a formação de uma comissão episcopal para receber a marcha sem-terra que chega a Brasília esta semana. Os integrantes da comissão ainda não estão definidos, mas o grupo deverá ser liderado pelo bispo de Jales, dom Demétrio Valentini, responsável pela Pastoral Social.
‘‘A CNBB considerou o movimento dos sem-terra como um símbolo para a sociedade’’, disse o bispo de Jales. Segundo ele, os trabalhadores rurais têm três causas bem definidas, que merecem apoio. ‘‘Eles querem reforma agrária, justiça no campo, e uma economia que gere empregos’’.
Os líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), organizaram três marchas com mais de duas mil pessoas e, na quinta-feira, esperam reunir até 60 mil manifestantes em Brasília para pressionar o governo pela reforma agrária. O objetivo é deixar a capital com propostas concretas. A estratégia é demonstrar que o governo tem falado muito e feito pouco. ‘‘Eles (o governo) têm a pauta da reforma há muito tempo, agora têm que fazer’’, critica Mário Schons, um dos coordenadores da marcha Sul-Sudeste.
Com 830 pessoas, a marcha Sul-Sudeste chegou ontem à cidade goiana de Osfaya, localizada a 50 quilômetros de Brasília. A marcha, que é a segunda a se aproximar de capital federal, é composta por trabalhadores dos estados do Sul (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina), além de São Paulo e Minas Gerais. Com exceção dos mineiros, que partiram da cidade de Governador Valadares, os demais integrantes da marcha Sul-Sudeste saíram da Praça da Sé, em São Paulo.
Os dois grupos partiram rumo a Brasília no dia 17 de fevereiro, mas somente na última quarta-feira, 9 de abril, eles encontraram-se na cidade de Cristalina, em Goiás, de onde seguiram para Osfaya. Já estão na capital federal os 600 integrantes da marcha Oeste, que saiu da cidade de Rondonópolis, no Mato Grosso.
Na quinta-feira as duas marchas juntam-se à terceira, a DF-Entorno, integrada por trabalhadores sem-terra do Distrito Federal e de localidades próximas à capital. O encontro será na cidade-satélite do Guará, de onde o movimento segue para a Esplanada dos Ministérios.
As três frentes reúnem trabalhadores de mais de 50 mil acampamentos distribuídos em todo o País, além de famílias já assentadas. ‘‘Os assentados estão dando apoio às marchas’’, explica Francisco Dal Chiavon, um dos principais organizadores do movimento.

mockup